Brasil, 2025 — Um dos acidentes mais graves já registrados nas estradas peruanas deixou o país em estado de choque nesta quarta-feira, depois que um ônibus de dois andares despencou de um barranco de aproximadamente 200 metros na região de Ocoña, província de Arequipa. A tragédia, que ocorreu no km 780 da rodovia Panamericana Sul, resultou na morte de ao menos 37 pessoas e deixou outras 24 feridas, segundo autoridades locais e veículos de imprensa.

Impacto violento, resgate difícil e o início das investigações
O ônibus, pertencente à empresa Llamosas, fazia o trajeto entre o distrito de Chala e a cidade de Arequipa quando se envolveu em uma colisão frontal com uma caminhonete. As investigações preliminares indicam que o impacto dessa batida teria levado o motorista do coletivo a perder o controle, fazendo o veículo sair da pista e cair no desfiladeiro. A altura do penhasco e o terreno acidentado tornaram o resgate extremamente complexo, exigindo a mobilização de bombeiros, equipes médicas e agentes da Polícia Nacional do Peru.
As primeiras vítimas resgatadas foram levadas ao Hospital de Camaná, unidade mais próxima ao local do acidente. Segundo informações divulgadas por um porta-voz da empresa Llamosas, quatro pacientes em estado gravíssimo serão transferidos para o Hospital Honorio Delgado, em Arequipa, onde há estrutura para atendimento de alta complexidade. Enquanto isso, equipes continuam atuando para remover os corpos, trabalho que só pode avançar com a presença do promotor responsável pelo caso.
A rodovia Panamericana Sul, fundamental para o transporte entre cidades costeiras e regiões serranas, é conhecida por trechos com curvas fechadas, pista estreita e sinalização insuficiente. Por isso, acidentes envolvendo ônibus são recorrentes no Peru, especialmente em áreas montanhosas, onde a combinação de tráfego intenso, falhas mecânicas e condições meteorológicas adversas eleva o risco de tragédias como a registrada nesta semana.
Problemas estruturais, luto nacional e pressão por mais fiscalização
A queda do ônibus reacendeu um debate antigo no país: a vulnerabilidade do transporte rodoviário de passageiros. A tragédia destaca falhas que vão desde a manutenção dos veículos até a formação de motoristas que percorrem rotas íngremes e perigosas. Especialistas em segurança viária reforçam que a fiscalização nas estradas e a inspeção das condições técnicas dos coletivos ainda são insuficientes para reduzir drasticamente os índices de acidentes.
O governo peruano, diante da repercussão, já enfrenta pressão para reforçar mecanismos de controle, modernizar a infraestrutura e revisar protocolos de segurança adotados pelas empresas de transporte. A população local, especialmente a de Arequipa e Camaná, vive agora dias de comoção, enquanto funerais começam a ser programados e famílias tentam lidar com a perda de parentes que viajavam para trabalhar, estudar ou visitar familiares.
Com a investigação ainda em andamento, autoridades afirmam que novas informações serão divulgadas assim que houver laudos técnicos e depoimentos conclusivos. Por enquanto, o que se vê é a dimensão de uma tragédia que expõe fragilidades históricas do sistema rodoviário peruano e que deixa um rastro profundo de dor em diversas regiões do país.