O médico Alan Carlos de Lima Cavalcante foi morto a tiros na tarde deste domingo (16) em frente a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no município de Arapiraca, no Agreste de Alagoas. A principal suspeita é a ex-esposa, também médica, presa poucas horas após o crime. A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil, que rapidamente iniciaram a reconstrução da dinâmica do homicídio.
Segundo informações da Polícia Civil de Alagoas (PCAL), Alan Carlos estava dentro de seu veículo estacionado em frente à UBS quando foi surpreendido pelos disparos. Ele morreu ainda no local. Câmeras de segurança instaladas nas proximidades captaram toda a ação e forneceram imagens consideradas cruciais para o inquérito.
O delegado Daniel Scaramello, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), informou que as imagens mostram a suspeita descendo de outro veículo já com a arma em mãos, caminhando diretamente na direção do carro do ex-marido e apontando o armamento antes de efetuar diversos disparos. A gravação também revela que a vítima não esboçou reação e não apresentou qualquer atitude que configurasse ameaça iminente.
Após o crime, a suspeita, de 38 anos, foi localizada pela Polícia Militar e conduzida à sede da DHPP, em Maceió, onde prestou depoimento. Ela afirmou inicialmente que teria agido em legítima defesa, mas a versão foi descartada pelos investigadores. “A análise das imagens e de outros elementos colhidos no local deixa claro que não houve legítima defesa. A autora desembarcou do carro portando arma de fogo e efetuou disparos que impossibilitaram qualquer reação da vítima”, afirmou o delegado Scaramello.

Suspeita alega abuso contra a filha, mas polícia diz que versão ainda não tem comprovação
Durante o interrogatório, a médica apresentou uma nova justificativa para o crime: disse ter agido porque o ex-marido teria abusado da filha do casal. A Polícia Civil, no entanto, reforçou que não existe, até o momento, nenhuma evidência que confirme a denúncia. A afirmação será investigada em procedimento separado, mas os elementos iniciais não vinculam o homicídio a uma situação de flagrante ou defesa imediata.
De acordo com o delegado Scaramello, a investigação segue critérios técnicos. “Essa alegação será apurada, mas o crime analisado aqui apresenta fortes indícios de execução. Nada nas imagens ou nos depoimentos iniciais sugere que a vítima estivesse representando algum risco naquele momento”, explicou.
Por causa dos elementos reunidos, a PCAL lavrou o auto de prisão em flagrante por homicídio qualificado, considerando, entre outros pontos, a impossibilidade de defesa da vítima. A suspeita passou por exame de corpo de delito no IML e deve participar de audiência de custódia nesta segunda-feira (17), quando a Justiça avaliará a manutenção da prisão.
A motivação oficial ainda não foi confirmada pelas autoridades, que mantêm o inquérito em andamento. Enquanto isso, colegas de profissão e familiares do médico lamentam a morte repentina e cobram que a investigação esclareça todos os pontos, incluindo a veracidade da acusação feita pela suspeita.
O caso segue repercutindo nas redes sociais e gerando discussões sobre violência doméstica, saúde mental e protocolo de apuração em denúncias envolvendo crianças. A Polícia Civil afirma que novas informações serão divulgadas assim que forem confirmadas no processo investigativo.