Floripes de Jesus, conhecida carinhosamente como Lola, nasceu em Minas Gerais e teve sua vida transformada ainda aos 16 anos. O acidente, resultante de uma queda de uma jabuticabeira, provocou uma paraplegia irreversível e marcou o início de um caminho espiritual que ganharia repercussão nacional.
Após o episódio, seu organismo apresentou alterações inexplicáveis: ela deixou de sentir fome, sede e até mesmo sono. Relatos indicam que nenhum medicamento produzia efeito em seu corpo, aumentando ainda mais o mistério que a cercava.
Com o tempo, Lola passou a se alimentar exclusivamente da Eucaristia, consumindo diariamente apenas uma hóstia consagrada. Essa rotina, segundo testemunhos registrados, permaneceu por cerca de sessenta anos. Durante parte desse período, ela ainda optou por manter-se deitada em uma cama sem colchão, em gesto de penitência e entrega profunda à fé. Seus familiares e moradores da região testemunharam inúmeras transformações espirituais atribuídas à sua presença e às suas orações constantes.

O impacto das romarias e a devoção que moveu multidões
A trajetória de Lola ultrapassou os limites de sua cidade e atraiu romeiros de diferentes partes do país. Os registros da década de 1950 mostram a dimensão dessa movimentação: apenas em um mês, mais de 32 mil pessoas assinaram o livro de visitas de sua residência. Muitos fiéis relataram graças, curas e experiências espirituais profundas, o que ampliou ainda mais a devoção popular em torno da mineira.
Preocupado com a intensidade das romarias, o bispo Dom Helvécio solicitou que Lola levasse uma vida mais reservada, evitando o fluxo constante de pessoas. Ainda assim, ela continuou sendo procurada por quem desejava oração, conselho ou apenas a oportunidade de estar diante de sua simplicidade. A todos, fazia o mesmo pedido: confessar-se, comungar e cumprir as nove primeiras sextas-feiras dedicadas ao Sagrado Coração de Jesus.
A devoção na cidade cresceu de maneira notável. O Apostolado da Oração masculino chegou a reunir mais de mil integrantes, reflexo direto da influência espiritual que Lola exercia mesmo sem sair de sua casa. Com autorização de Dom Oscar, arcebispo de Mariana, o Santíssimo Sacramento permaneceu exposto em seu quarto, onde também eram celebradas Missas semanais.

Um legado de fé, serviço e testemunho que atravessa gerações
Lola dedicou sua vida inteiramente à oração, sobretudo pelos sacerdotes e pela divulgação do Sagrado Coração de Jesus. Sua frase mais conhecida — “Quem quiser me procurar, vá no Coração de Jesus que me encontra” — revela a dimensão espiritual que guiou seus dias. Quando faleceu, em abril de 1999, sua despedida reuniu cerca de 12 mil fiéis e 22 padres, testemunho da comoção coletiva que sua história despertava.

Em 2005, ela foi declarada Serva de Deus pela Santa Sé, abrindo caminho para futuros processos de beatificação. Sua vida continua sendo interpretada como cumprimento das palavras de Jesus no Evangelho de João: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56). Uma história que segue inspirando fé, esperança e encantamento entre milhares de pessoas.