A crise envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou novos contornos neste fim de semana e provocou forte comoção entre familiares, aliados e apoiadores. Bolsonaro está detido desde as primeiras horas do sábado, após a Polícia Federal apontar risco de fuga e violação de medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal.
A cena da prisão e a fragilidade emocional relatada na audiência de custódia teriam arrancado lágrimas não apenas do ex-presidente, mas também de seus familiares, especialmente da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que chegou à sede da PF neste domingo visivelmente emocionada. A situação desencadeou um clima de tensão que se espalhou entre parlamentares e membros da oposição e da base bolsonarista, que acompanham de perto cada desdobramento.

A Visita de Michelle e o Clima na Superintendência da PF
Michelle Bolsonaro chegou na tarde deste domingo (23) à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para visitar o marido, preso preventivamente por determinação do ministro Alexandre de Moraes. A ex-primeira-dama entrou no prédio sem falar com a imprensa, mantendo semblante sério, carregado de preocupação.
A visita foi autorizada pelo STF, que restringiu o acesso ao ex-presidente apenas a advogados constituídos e pessoas previamente autorizadas, além de garantir atendimento médico integral durante sua permanência no local.
Bolsonaro está acomodado em uma sala especial na sede da PF, com cerca de 12 m², equipada com cama, banheiro, TV e ar-condicionado. Ele deve permanecer ali até que seja definida a unidade onde cumprirá a pena de 27 anos e 3 meses à qual foi condenado pela tentativa de golpe de Estado — decisão que deve transitar em julgado nos próximos dias. O momento da prisão, segundo pessoas próximas, teria sido marcado por grande abalo emocional. Integrantes da família que acompanharam a chegada de Michelle relataram que ela saiu de casa às pressas ao receber notícia do estado psicológico do marido, o que intensificou ainda mais o clima de comoção.
Audiência de Custódia e a Versão de Bolsonaro Sobre o Episódio
Durante a audiência de custódia realizada na manhã deste domingo, Bolsonaro afirmou que o episódio envolvendo a tornozeleira eletrônica ocorreu por causa de um “surto”, supostamente provocado pelos medicamentos que tem tomado. Ele mencionou o uso de pregabalina e sertralina — fármacos utilizados em tratamentos psiquiátricos, especialmente em casos de ansiedade e depressão. O ex-presidente declarou que seu sono está “picado” e que tem enfrentado momentos de paranoia.
Segundo seu relato, por volta da meia-noite tentou manipular o equipamento de fiscalização, mas, ao “cair na razão”, interrompeu a ação e comunicou os agentes responsáveis por sua custódia. Bolsonaro negou ter planejado fuga, embora a Polícia Federal tenha afirmado o contrário ao solicitar sua prisão preventiva.
A tentativa de usar a convocação de apoiadores feita pelo senador Flávio Bolsonaro para dificultar a fiscalização pesou na avaliação da PF, que considerou o ato uma estratégia arriscada diante do cenário jurídico.
A combinação entre crise emocional, alegações de surto e a prisão repentina fizeram com que o episódio ganhasse contornos dramáticos, envolvendo não apenas o ex-presidente, mas toda a sua estrutura familiar. A imagem de um Bolsonaro fragilizado, abalado e cercado por um núcleo próximo em lágrimas elevou a tensão política e abriu mais um capítulo de incertezas na trajetória recente do país.