A tranquilidade de um fim de tarde em Esperantina foi interrompida por um acidente que ninguém imaginava. Gildete Batista da Costa, que se preparava para participar de um culto, seguia na garupa de uma motocicleta quando um imprevisto transformou o trajeto em tragédia.
A jovem, conhecida pela fé e pela rotina simples, teve o vestido preso na corrente da moto, o que provocou a queda e resultou em ferimentos graves. O caso ocorreu no dia 25 de março, e desde então, Gildete iniciou uma luta intensa pela vida que durou mais de duas semanas.
De acordo com o comandante da Polícia Militar de Esperantina, tenente Madslan Sousa, ela estava a caminho da igreja quando o acidente aconteceu. Sem tempo de reação, a queda foi brusca, e a jovem bateu a cabeça no chão. O impacto ocasionou lesões sérias, exigindo atendimento imediato do Samu e transferência urgente para o Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (Heda), em Parnaíba.
No hospital, Gildete foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu por 16 dias. Durante todo o período, familiares, amigos e membros da comunidade religiosa mantiveram uma corrente de oração, torcendo pela recuperação da jovem. No entanto, mesmo com o tratamento intensivo, seu quadro clínico não apresentou melhora suficiente. Nesta quarta-feira (10), a notícia que ninguém queria receber foi confirmada: Gildete não resistiu aos ferimentos.

A luta pela vida e a comoção que tomou conta das cidades
Desde o dia do acidente, a mobilização pela recuperação de Gildete cresceu rapidamente. A jovem era conhecida por sua postura pacífica, sua convivência tranquila e pela dedicação à fé cristã. Por isso, quando o acidente foi divulgado, a comoção se espalhou por Esperantina e alcançou também Parnaíba, onde ela permanecia internada.
A equipe médica do Heda acompanhou o caso de perto, realizando exames, monitoramento contínuo e intervenções necessárias. Contudo, a gravidade do traumatismo craniano deixou poucas possibilidades de reversão. Mesmo assim, a esperança era alimentada diariamente pela família, que se manteve presente, apesar do cansaço emocional.
O Departamento Municipal de Trânsito de Esperantina, por meio do chefe João Barros, reforçou as informações sobre a dinâmica do acidente, alertando para os riscos que roupas longas podem apresentar ao serem usadas em motocicletas. A tragédia reacendeu debates sobre práticas de segurança que, muitas vezes, passam despercebidas, especialmente em pequenas cidades, onde o uso de motos é frequente e faz parte do cotidiano.
Uma despedida marcada pela fé, solidariedade e reflexão
A morte de Gildete levou dor, mas também iniciou um movimento de reflexão sobre a importância de cuidados simples que podem evitar acidentes graves. Em várias igrejas locais, fiéis dedicaram orações à jovem e à família, enfatizando a necessidade de segurança no trânsito e atenção a detalhes que parecem triviais, como roupas utilizadas ao andar de moto.
O caso permanece como um alerta para a população e como um capítulo doloroso na história de duas cidades que acompanharam de perto a luta de uma jovem que apenas seguia para mais um dia de culto — sem imaginar que aquele trajeto mudaria tudo.