A investigação sobre a morte do jovem de 19 anos que invadiu o recinto da leoa Leona, no Parque Arruda Câmara, continua ganhando desdobramentos. A cada semana, novos relatos surgem nas redes sociais, alguns sem confirmação oficial, mas que acabam repercutindo entre curiosos e alimentando discussões em torno do caso. Entre eles, um vídeo gravado por um funcionário logo após o ataque permanece como uma das peças consideradas mais relevantes para os peritos, que seguem analisando cada elemento registrado.
O ataque, que chocou o país, ocorreu poucos minutos depois de o jovem entrar na jaula. Nas imagens, que seguem sob sigilo, aparecem apenas os instantes posteriores ao ocorrido, oferecendo à perícia um panorama sobre a posição do corpo, o comportamento de Leona e o estado geral do recinto. O material, segundo especialistas, costuma ser essencial em situações envolvendo grandes felinos.

Informações adicionais também têm sido analisadas pela equipe técnica, incluindo o fato de o jovem ter sido solto da prisão dois dias antes do ataque. Esse detalhe, embora externo à cena do crime, ajuda a compor o contexto psicológico e emocional da vítima, mas ainda não há ligação direta estabelecida entre esses fatores.
No entanto, outro ponto viralizou recentemente: a alegação de que o jovem teria “aceitado Jesus” pouco antes de morrer. Apesar de amplamente compartilhado, trata-se de um relato não confirmado, e sua origem não foi oficialmente reconhecida pelas autoridades envolvidas no caso.
O que os peritos provavelmente observaram ao analisar o corpo
Peritos que atuam em ataques envolvendo grandes felinos seguem protocolos rigorosos para identificar padrões específicos. Marcas de mordida são geralmente profundas e semicirculares, indicando força, direção e sequência do ataque. Essa análise ajuda a determinar se houve múltiplos golpes ou apenas uma ação fatal.
As garras, por sua vez, deixam cortes lineares que podem indicar tentativas de imobilização. A posição dessas lesões auxilia na reconstituição da dinâmica do ataque. Ferimentos nos braços e mãos são avaliados para saber se houve reação defensiva — algo comum quando a vítima tenta se proteger instintivamente.

A ausência desses sinais pode indicar um ataque rápido, enquanto a presença deles sugere luta corporal. O vídeo gravado pelo funcionário pode complementar essa leitura, mostrando elementos como respingos, deslocamentos no recinto e os primeiros movimentos da equipe após o chamado de emergência.
Combinando laudo, imagens e contexto, os peritos tendem a montar uma linha do tempo precisa, crucial para esclarecer dúvidas e reforçar medidas de segurança do zoológico.
Relato religioso viraliza nas redes, mas segue sem confirmação oficial
Nas redes sociais, a narrativa de que o jovem teria aceitado Jesus momentos antes de morrer se espalhou com força. Segundo versões que circulam, ele teria expressado arrependimento e feito uma oração ainda consciente, antes de sucumbir aos ferimentos.

Apesar da disseminação desse relato, não há confirmação das autoridades, do zoológico ou dos profissionais que atenderam a ocorrência. Especialistas lembram que histórias desse tipo costumam surgir após tragédias envolvendo grande comoção, muitas vezes como forma de consolo coletivo.
Enquanto isso, o zoológico reforça que Leona não será sacrificada, que segue saudável e que o ataque ocorreu em um contexto de invasão, dentro do comportamento natural de um grande felino. Já os peritos seguem trabalhando para entregar um laudo técnico que esclareça definitivamente o que ocorreu naqueles minutos críticos.