A despedida de Gerson de Melo Machado, de 19 anos, reuniu um pequeno grupo de familiares e integrantes da assistência social que o acompanhavam nos últimos anos. O velório, realizado no próprio Cemitério do Cristo, em João Pessoa, aconteceu de forma discreta, preservando a família que ainda tenta compreender a sequência de acontecimentos que levou o jovem ao recinto da leoa no Parque Arruda Câmara. Em meio ao clima de consternação, muitos ainda demonstravam dificuldade em falar sobre o episódio.

A cerimônia começou no início da tarde e refletiu o abalo emocional de todos os presentes. A avó de Gerson, com quem ele morava no bairro de Mangabeira, foi apontada como uma das pessoas mais afetadas pela tragédia. Segundo relatos, ela permaneceu a maior parte do tempo em silêncio, amparada por vizinhos e profissionais da assistência social.
O sepultamento ocorreu por volta das 15h, encerrando um dia marcado por tristeza e lembranças de um jovem cuja história já vinha sendo acompanhada de perto por serviços públicos. Ao mesmo tempo, o caso reacendeu debates sobre vulnerabilidade social e a necessidade de reforço nos cuidados a pessoas com transtornos mentais.
O ataque, registrado em vídeo, ampliou a repercussão nacional do caso, mas no cemitério o que prevaleceu foi o respeito ao luto da família. A despedida buscou separar o que aconteceu no zoológico da imagem pessoal de Gerson, preservando sua memória.

Vídeo do ataque volta a circular e levanta questionamentos
Enquanto familiares se despediam no velório, as imagens do ataque continuaram ganhando força nas redes sociais. O vídeo, gravado por visitantes no momento exato em que o jovem entra na jaula, mostra Gerson subindo uma estrutura lateral, passando pelas grades de segurança e se apoiando em uma árvore do recinto. A sequência termina com a reação imediata da leoa e o ataque fatal.
A circulação do vídeo levantou discussões sobre o impacto da exposição repetida dessas imagens para a família, especialmente para a avó, que ainda enfrenta o choque da perda. A viralização reforça um contraste entre o ambiente silencioso do velório e o frenesi digital diante da tragédia.
A Prefeitura de João Pessoa confirmou que o jovem conseguiu escalar mais de seis metros de altura antes de entrar no recinto, algo que surpreendeu até a equipe técnica do zoológico. Segundo o comunicado, o espaço segue normas de segurança, e uma investigação interna já foi aberta para apurar as circunstâncias do ocorrido.
Relatórios iniciais também apontam que Gerson apresentava transtornos mentais, informação que tem sido usada para compreender o comportamento que antecedeu a invasão. No entanto, autoridades reforçam que somente o laudo final consolidará os detalhes do caso.

O que fica após a despedida e os desdobramentos do caso
Mesmo após o sepultamento, o caso continua gerando repercussão e abrindo espaço para debates sobre saúde mental, proteção em áreas de risco e o papel da sociedade diante de episódios de grande comoção. Para a equipe da assistência social, a morte do jovem evidencia a importância de acompanhamento contínuo para pessoas em situação de vulnerabilidade.
A família, por sua vez, tenta se afastar da exposição pública, concentrando-se no processo de luto. A avó, que cuidou do neto durante anos, passa agora a ser amparada pelos serviços sociais e por parentes próximos, enquanto tenta reorganizar a rotina após a perda abrupta.
O zoológico segue monitorando a leoa Leona, que permanece saudável e não é alvo de qualquer medida punitiva. Técnicos explicam que o animal apenas reagiu de acordo com seu comportamento natural, e que o foco da investigação está nas circunstâncias que permitiram o acesso ao recinto.
A expectativa é que os próximos dias tragam atualizações oficiais, enquanto a comunidade local continua repercutindo a tragédia que, apesar das imagens fortes, envolve também uma história humana de fragilidade e falta de apoio adequado.