A morte da soldado Larissa Gomes da Silva, de 26 anos, gerou forte comoção e levantou novos questionamentos sobre violência doméstica envolvendo agentes de segurança pública no Ceará. O episódio aconteceu no fim da tarde desta quarta-feira, 3, no Centro de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, e rapidamente mobilizou equipes de socorro, autoridades militares e a população local. A tragédia ocorreu após uma discussão entre Larissa e o marido, também soldado da Polícia Militar, que terminou em troca de tiros dentro do carro do casal.
Segundo informações divulgadas pela TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo, o marido teria ido buscar a policial no trabalho por volta das 17h, quando o desentendimento começou ainda no interior do veículo. As circunstâncias exatas da discussão ainda não foram esclarecidas, mas ambos sacaram suas armas e efetuaram disparos um contra o outro, transformando o conflito em um confronto fatal. A intensidade da troca de tiros chamou a atenção de moradores da região, que acionaram imediatamente as autoridades.

Troca de tiros, socorro e morte da soldado
Larissa foi atingida no abdômen e no tórax, regiões extremamente sensíveis e de alto risco para hemorragias graves. Já o companheiro foi baleado na perna, próximo à artéria femoral, o que também representa risco significativo de perda de sangue. Os dois foram socorridos e levados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Eusébio, onde receberam atendimento emergencial. No entanto, apesar dos esforços das equipes médicas, a soldado não resistiu aos ferimentos.
A morte de Larissa causou forte impacto entre colegas de corporação e moradores da cidade, especialmente pelo fato de o episódio envolver dois policiais treinados, armados e em horário de folga. O caso trouxe à tona discussões sobre a pressão psicológica vivida por profissionais da segurança e a necessidade de políticas específicas de acolhimento e prevenção para agentes que enfrentam conflitos dentro do ambiente familiar.
O marido da policial permanece internado, com quadro clínico estável, e segue sob custódia policial enquanto as investigações prosseguem. A internação sob escolta indica que ele é considerado peça central no esclarecimento da dinâmica do fato e poderá responder criminalmente conforme as conclusões da investigação.
Investigação, apreensão das armas e manifestações oficiais
Logo após o episódio, as duas armas da corporação utilizadas no confronto foram apreendidas na cena do fato. Também foram recolhidos depoimentos de testemunhas e outras evidências que ajudarão a reconstruir o que aconteceu dentro do carro antes dos disparos. Todo o material foi encaminhado à Coordenadoria de Polícia Judiciária Militar e Disciplina (CPJM), órgão responsável pela apuração de crimes militares e condutas incompatíveis com o regulamento da corporação.
A Polícia Militar do Ceará divulgou nota lamentando profundamente a morte da soldado Larissa e prestando solidariedade à família. A corporação reforçou que acompanha o caso e que colabora com as autoridades responsáveis pela investigação. A instituição destacou, ainda, que aguarda os resultados dos laudos periciais e das oitivas para compreender completamente o contexto que levou à tragédia.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) também foi acionada pela imprensa para fornecer mais detalhes sobre o andamento das apurações, mas não respondeu até o momento. Enquanto isso, o caso segue sob forte repercussão, especialmente pelo simbolismo que carrega: a perda de uma jovem policial em circunstâncias violentas e inesperadas, dentro de um ambiente que deveria representar segurança e proteção.
A comunidade de Eusébio, colegas de farda e familiares agora aguardam respostas mais precisas sobre o que motivou a discussão e como ela evoluiu para um confronto armado. As investigações devem esclarecer não apenas a dinâmica dos fatos, mas também possíveis antecedentes de conflitos e fatores emocionais envolvidos.