Você Faz Xixi Durante o Banho? Médicos Alertam Que Isso pode Cau…Ver mais
Algumas práticas do cotidiano se tornam tão automáticas que raramente despertam questionamentos. Usar o celular antes de dormir, aplicar maquiagem e não remover, ou adotar comportamentos considerados práticos — como urinar durante o banho — são exemplos de atitudes aparentemente inofensivas. No entanto, segundo especialistas, determinadas práticas podem gerar efeitos inesperados no organismo, especialmente entre mulheres, que tendem a ser mais vulneráveis a alterações urinárias ao longo da vida.
A urologista norte-americana Teresa Irwin alertou recentemente que urinar no banho, apesar de parecer uma solução rápida e até ecológica, pode alterar o modo como o cérebro interpreta os sinais da bexiga. O barulho da água corrente, segundo ela, pode se tornar um gatilho involuntário para a vontade de urinar, mesmo quando não há necessidade fisiológica real.
Essa associação ocorre porque o corpo cria padrões automáticos de resposta, mecanismo semelhante ao observado no experimento clássico de Pavlov, no qual cães passaram a salivar apenas ao ouvir uma campainha associada à comida. Quando a mesma lógica é aplicada ao funcionamento da bexiga, o resultado pode ser a sensação de urgência urinária em situações inadequadas.

Como o cérebro se condiciona e por que isso afeta mais mulheres
Com o tempo, o cérebro pode passar a interpretar o som da água como um sinal direto de que é hora de urinar. Isso significa que, em situações cotidianas — como lavar as mãos, abrir a torneira ou ligar o chuveiro — a pessoa pode começar a sentir vontade de ir ao banheiro antes que a bexiga esteja cheia. Esse comportamento condicionado, embora não cause danos imediatos, pode contribuir para quadros de incontinência urinária, especialmente entre mulheres que já têm predisposição por fatores como gestação, parto, alterações hormonais ou envelhecimento.
A especialista explica que o ideal é que o organismo aprenda a urinar apenas quando existe real necessidade, evitando associações externas que fragilizam o controle da bexiga. Outro ponto de atenção é a postura adotada durante o banho: urinar em pé pode dificultar o esvaziamento completo da bexiga, favorecendo desconfortos e, em alguns casos, infecções urinárias recorrentes.
Ainda que o hábito não seja considerado proibido, profissionais da área reforçam que ele deve ser repensado, sobretudo por pessoas que já apresentam sintomas de urgência, perdas involuntárias ou dificuldade de segurar a urina por longos períodos. Pequenas alterações de rotina podem ser suficientes para reduzir esses incômodos e melhorar o funcionamento do trato urinário.
Reprogramação de hábitos e cuidados que preservam a saúde urinária
O principal alerta deixado pelos especialistas é que o corpo humano funciona a partir de padrões. Uma vez estabelecidos, eles tendem a se repetir com facilidade. Por isso, um gesto aparentemente prático pode se transformar, silenciosamente, em um comportamento prejudicial à saúde urinária.
Reprogramar hábitos é possível e necessário, especialmente quando existe algum desconforto. Treinar a bexiga para responder apenas a sinais internos, evitar estímulos condicionados e priorizar a posição adequada durante a micção são medidas recomendadas para preservar a saúde.
A mensagem central é simples: embora muitos comportamentos pareçam inofensivos, compreender como o organismo reage e adotar escolhas mais conscientes pode evitar problemas futuros. Escolher o momento certo para urinar é uma forma de cuidado diário que contribui para o bem-estar a longo prazo.