Desde os 15 anos, Isabel Veloso enfrenta um dos tipos de câncer mais desafiadores dentro da oncologia: o linfoma de Hodgkin, doença que atinge o sistema linfático, responsável por defender o organismo contra infecções. Embora seja um câncer com boas taxas de resposta quando diagnosticado precocemente, seus sintomas nem sempre são claros, o que torna a detecção inicial dificultada.
No caso de Isabel, a doença se apresentou de forma agressiva, exigindo sucessivas rodadas de tratamentos intensivos ao longo dos anos, incluindo quimioterapias, internações prolongadas e, mais recentemente, um transplante de medula óssea, realizado como última tentativa de controle da enfermidade.
A evolução do quadro deixou marcas clínicas e emocionais, mas Isabel seguiu compartilhando sua rotina com leveza nas redes sociais, criando uma comunidade de apoio que a acompanha diariamente. A pneumonia que a levou à UTI no final de novembro se tornou mais perigosa devido ao seu sistema imunológico fragilizado, consequência direta dos anos de enfrentamento ao linfoma.

Sintomas complexos e silenciosos que dificultam o diagnóstico
O linfoma de Hodgkin é conhecido por apresentar sinais que, muitas vezes, se confundem com doenças simples do dia a dia. Um dos sintomas mais característicos é o aumento indolor dos gânglios linfáticos, especialmente no pescoço, axilas ou virilha. Muitas pessoas só percebem quando o inchaço se torna mais evidente, o que pode atrasar a investigação médica.
Além disso, há os chamados “sintomas B”, considerados marcadores importantes de gravidade: febre persistente ou recorrente, suores noturnos intensos – a ponto de encharcar roupas e cama – e perda de peso acelerada, mesmo sem mudanças na alimentação. Outro sinal comum é a fadiga constante, que não melhora com descanso e interfere no ritmo cotidiano.

Em muitos pacientes, o câncer também provoca coceira intensa, sem alterações visíveis na pele, resultado de substâncias liberadas pelo tumor. Quando os linfonodos alterados se localizam no tórax, podem surgir tosse seca, falta de ar e dor no peito, sintomas que Isabel enfrentou em diferentes fases da doença.
Esses sinais, apesar de conhecidos pela medicina, ainda passam despercebidos em grande parte dos diagnósticos iniciais, o que reforça a importância de buscar avaliação médica diante de sintomas persistentes.
Impactos do tratamento e desafios enfrentados pela influenciadora
O tratamento do linfoma de Hodgkin costuma envolver quimioterapia, radioterapia e, em casos específicos, transplante de medula óssea. Cada etapa traz efeitos colaterais significativos, como queda de imunidade, anemia, dores no corpo e limitações respiratórias. Para Isabel, os ciclos prolongados resultaram em um organismo extremamente vulnerável, o que explica por que uma pneumonia evoluiu de forma tão rápida e grave, levando-a novamente à UTI.

Ainda assim, Isabel transformou sua jornada em uma fonte de esperança para outras pessoas em tratamento. Com relatos sinceros, vídeos motivacionais e reflexões sobre fé, ela se tornou uma referência de coragem. Hoje, enquanto segue internada e enfrentando complicações severas, sua história continua evidenciando a realidade de milhares de brasileiros que convivem com o câncer e dependem de acompanhamento contínuo.
