A família de Elizabeth da Costa Saraiva da Silva enfrenta uma longa e dolorosa batalha judicial contra o Hospital Santa Júlia, em Manaus, após uma cirurgia cardíaca que deveria representar esperança terminar em tragédia. O caso voltou a ganhar repercussão por envolver a mesma unidade hospitalar particular que, recentemente, passou a ser alvo de acusações de erro médico na morte do menino Benício, de apenas 6 anos, no fim de novembro.
Para os familiares, a dor da perda se mistura à indignação diante do que consideram falhas graves no atendimento médico e hospitalar. O processo judicial se arrasta enquanto eles buscam respostas, responsabilização e justiça por uma morte que, segundo alegam, poderia ter sido evitada.

Cirurgia cardíaca terminou em morte e gerou questionamentos
Elizabeth foi internada no Hospital Santa Júlia para a realização de uma cirurgia cardíaca, procedimento que, apesar de delicado, era tratado como necessário e planejado. Segundo relatos da família, havia confiança na equipe médica e na estrutura do hospital, considerado um dos mais conhecidos da capital amazonense.
No entanto, após a cirurgia, o quadro clínico de Elizabeth se agravou de forma inesperada. Complicações surgiram no pós-operatório e, apesar das tentativas de estabilização, ela não resistiu. A morte levantou uma série de questionamentos sobre a condução do procedimento, o acompanhamento após a cirurgia e as decisões médicas adotadas.
Desde então, a família afirma enfrentar dificuldades para obter explicações claras sobre o que ocorreu dentro do centro cirúrgico e nos momentos seguintes. Relatórios médicos, segundo os parentes, teriam apresentado inconsistências, o que motivou a busca por perícias independentes e o ingresso com ação judicial.
Processo se arrasta e familiares relatam desgaste emocional
A ação contra o hospital segue em tramitação e se tornou um processo longo, marcado por recursos, perícias técnicas e audiências adiadas. Para a família de Elizabeth, além do luto, o caminho judicial representa um desgaste emocional constante, agravado pela sensação de impunidade.
Familiares relatam que a batalha não se resume a indenização, mas à necessidade de reconhecimento de possíveis erros e à adoção de medidas que evitem que outras pessoas passem pela mesma situação. “Nada vai trazer a Elizabeth de volta, mas queremos a verdade”, relatou um parente próximo em declaração pública.
O caso também expõe a dificuldade enfrentada por famílias que processam grandes instituições de saúde privadas, onde o embate jurídico costuma ser desigual, exigindo recursos financeiros e psicológicos ao longo de anos.
Hospital volta ao centro de denúncias após morte de criança
A repercussão do caso de Elizabeth se intensificou após o Hospital Santa Júlia ser novamente citado em denúncias recentes. No final de novembro, a unidade passou a ser acusada de erro médico na morte de Benício, um menino de apenas 6 anos, fato que gerou comoção em Manaus e ampliou o debate sobre segurança hospitalar e responsabilidade médica.
Embora os casos sejam distintos, o envolvimento do mesmo hospital reacendeu a atenção de autoridades, da imprensa e da sociedade. Especialistas destacam que situações assim reforçam a importância de investigações rigorosas, transparência nos atendimentos e fiscalização constante em hospitais privados.
Até o momento, o Hospital Santa Júlia não teve condenação definitiva relacionada aos casos citados e costuma afirmar, em situações semelhantes, que segue protocolos médicos e normas técnicas. Ainda assim, as denúncias sucessivas colocam a instituição sob escrutínio público.
Enquanto a Justiça não apresenta uma decisão final, a família de Elizabeth segue aguardando respostas. Para eles, a luta vai além de um processo: é a tentativa de transformar dor em alerta, para que histórias interrompidas dentro de centros cirúrgicos não se tornem apenas números ou estatísticas esquecidas.