O Brasil segue enfrentando números alarmantes de feminicídio, crime que expõe de forma brutal a violência de gênero ainda presente no país. Em 2025, mais de mil mulheres foram mortas por parceiros ou ex-companheiros, segundo dados oficiais, e 2026 já começou com casos que voltam a chocar a opinião pública.
Um dos episódios mais recentes ocorreu em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde uma bombeira civil de 31 anos foi assassinada a facadas dentro da própria casa. De acordo com a polícia, o crime foi cometido pelo ex-companheiro da vítima.

Mensagens suspeitas e cenário forjado
A vítima, Gislaine, era conhecida pela dedicação à profissão e à família. O alerta para algo errado surgiu após vizinhos e familiares estranharem mensagens enviadas de seu celular. O conteúdo levantou suspeitas de que alguém tentava simular um suicídio.
Segundo o delegado Fabiano Berdichevski, responsável pelo caso, os textos continham trechos confusos e incompatíveis com a forma como Gislaine costumava se expressar. Diante da preocupação, a Brigada Militar foi acionada.
Ao chegar ao imóvel, os policiais precisaram arrombar a porta. Gislaine já foi encontrada sem vida, com sete ferimentos causados por faca, confirmando a gravidade da violência sofrida.
Suspeito tentou simular desmaio
O ex-companheiro da vítima foi localizado dentro da residência, fingindo estar desacordado. Ele chegou a ser encaminhado a um hospital, mas exames médicos comprovaram que não apresentava ferimentos compatíveis com a versão apresentada. Após receber alta, o homem foi preso em flagrante.
Relatos de amigos e familiares indicam que o relacionamento havia terminado recentemente e que Gislaine vinha sofrendo violência psicológica. O suspeito era descrito como ciumento e controlador. Apesar do histórico de comportamentos abusivos, a vítima não havia registrado boletins de ocorrência nem solicitado medidas protetivas.
Sonhos interrompidos e alerta à sociedade
Descrita como uma mulher alegre, estudiosa e extremamente dedicada ao filho de 10 anos, Gislaine cursava faculdade na área de segurança do trabalho e planejava novas oportunidades profissionais. O corpo foi velado em São Gabriel, sua cidade natal, e sepultado na manhã desta segunda-feira, 5 de janeiro.
O caso é investigado como feminicídio consumado e reforça a importância de reconhecer e denunciar sinais de abuso, mesmo quando a violência não deixa marcas físicas aparentes. Situações de controle excessivo, ciúmes e isolamento são indicativos que não devem ser ignorados.
Mulheres que enfrentam violência ou ameaças podem buscar ajuda pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia em todo o Brasil. Denunciar pode ser o passo decisivo para salvar vidas.