A morte do adolescente Pedro Henrique de Souza da Silva, de 14 anos, causou forte comoção em Marabá, no sudeste do Pará. O jovem faleceu no final da tarde deste domingo (11) após sofrer uma descarga elétrica na Travessa 23, no bairro Nossa Senhora Aparecida, conhecido popularmente como Coca-Cola. O caso levanta questionamentos graves sobre segurança, responsabilidade e negligência em áreas residenciais.
Pedro brincava com os irmãos em frente à casa onde morava quando decidiu atravessar para o quintal de uma residência vizinha, localizada na rua ao lado, para pegar mangas em uma árvore. O que parecia uma atitude comum acabou se transformando em tragédia.

Fio energizado estava exposto e em baixa altura
Segundo relatos da família, no quintal da casa vizinha havia uma armadilha improvisada para espantar animais. O sistema consistia em um fio energizado, exposto e instalado em baixa altura, sem qualquer tipo de isolamento ou sinalização de perigo. Ao se aproximar da mangueira, Pedro acabou tocando na fiação eletrificada e sofreu a descarga elétrica de forma imediata.
Familiares e vizinhos perceberam rapidamente o que havia acontecido e tentaram socorrê-lo. O adolescente foi retirado do local e levado às pressas pelo próprio pai até o Hospital Municipal de Marabá. Apesar da rapidez no atendimento e dos esforços da equipe médica, Pedro já chegou à unidade sem vida.
A morte repentina do adolescente deixou a comunidade em choque, especialmente por se tratar de uma situação envolvendo uma instalação improvisada em área urbana, onde crianças costumam circular diariamente.
Pai cobra providências e relata omissão
Abalado, o pai do jovem, Geneson Benício da Silva, falou durante o velório, realizado na tarde desta segunda-feira (12). Ele informou que registrou boletim de ocorrência na Delegacia da Cidade Nova e cobra providências das autoridades competentes.
Segundo Geneson, o morador do imóvel onde o fio energizado estava instalado não prestou qualquer tipo de ajuda após o acidente. O pai relatou ainda que o vizinho afirmou ter acompanhado toda a cena pelas câmeras de segurança da própria residência.
“O vizinho disse que viu tudo pelas câmeras e que queria apenas salvar as imagens para se resguardar do que poderia acontecer”, declarou o pai, visivelmente emocionado. A fala aumentou a revolta de familiares e moradores, que questionam a falta de socorro imediato.
Caso será investigado pela Polícia Civil
A Polícia Civil do Pará deve conduzir a investigação para apurar as circunstâncias da instalação da fiação elétrica e eventuais responsabilidades criminais. O foco será identificar se houve negligência, imprudência ou até dolo na manutenção de um fio energizado exposto em área acessível.
Especialistas alertam que armadilhas elétricas improvisadas representam risco extremo e são proibidas, especialmente em ambientes urbanos. O caso de Pedro Henrique reacende o debate sobre fiscalização e responsabilidade de moradores que utilizam esse tipo de prática.
Enquanto a investigação segue, familiares e amigos tentam lidar com a dor da perda precoce. A morte do adolescente deixa uma marca profunda na comunidade e reforça um alerta urgente: instalações elétricas irregulares podem custar vidas e não podem ser tratadas como algo banal.
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