Embora pequenos e muitas vezes ignorados no cotidiano, insetos como abelhas podem representar um risco significativo quando se sentem ameaçados. Ataques envolvendo enxames já provocaram internações, reações alérgicas graves e até mortes em diferentes regiões do país. Um episódio recente ocorrido em Colatina, no norte do Espírito Santo, expôs de forma dramática como uma situação aparentemente rotineira pode se transformar em momentos de pânico coletivo.
O caso foi registrado em um bairro próximo à Avenida Rio Doce, onde uma colmeia antiga, instalada havia cerca de dois anos, passou a ser removida por equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo. Durante a operação, o comportamento das abelhas mudou de forma repentina, dando início a uma série de ataques que atingiram moradores e animais.

Remoção de colmeia termina em ataques e correria
Segundo informações apuradas, a colmeia apresentava grandes proporções e já preocupava moradores da região. No momento em que os bombeiros iniciaram o procedimento de retirada, o enxame se tornou agressivo e passou a atacar pessoas que estavam nas imediações.
Quatro integrantes da mesma família foram ferroados, incluindo duas crianças, que precisaram ser encaminhadas para atendimento hospitalar. Apesar do susto e da gravidade do ataque, as crianças receberam alta após observação médica, sem complicações mais severas.
Câmeras de segurança instaladas na região registraram cenas de desespero: moradores correndo pelas ruas, tentando se proteger das ferroadas, além de pessoas socorrendo animais domésticos em meio ao caos. Infelizmente, quatro cães não resistiram aos ataques e morreram, aumentando ainda mais a comoção na comunidade.
O episódio transformou uma tarde comum em um cenário de pânico, evidenciando o potencial de risco que colmeias descontroladas representam quando localizadas em áreas residenciais.
Relatos mostram desespero e falta de controle
Entre os moradores atingidos está o pedreiro Rosimar de Castro, que contou ter buscado abrigo em uma mercearia próxima ao local. Mesmo assim, ele acabou sendo ferroado no rosto. “Corri para dentro da loja, mas as abelhas entraram junto. Foi assustador”, relatou.
Já o jardineiro Wendersson Luiz Vieira, proprietário do quintal onde a colmeia estava instalada, afirmou que havia solicitado anteriormente a retirada do enxame. Segundo ele, o tamanho da colmeia já causava preocupação. “A colmeia era muito grande. Quando começaram a mexer, foi um corre-corre. Crianças correndo, gente se jogando no rio. Parecia um caos”, disse.
Os relatos reforçam a sensação de falta de controle vivida pelos moradores, que não tiveram tempo de reação diante da agressividade inesperada dos insetos.
Alerta sobre colmeias em áreas urbanas
O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado justamente porque o enxame já apresentava comportamento agressivo, o que justificava a necessidade de intervenção. A corporação, no entanto, não divulgou o tipo de abelha envolvido no ataque, informação que pode ser relevante para avaliações técnicas posteriores.
Especialistas alertam que colmeias em áreas residenciais não devem ser manipuladas por pessoas sem treinamento, já que qualquer interferência pode ser interpretada como ameaça pelos insetos. Abelhas, especialmente quando em enxame, reagem de forma coletiva e imprevisível, aumentando o risco de ataques em massa.
O episódio em Colatina reacende o alerta para a importância de acionar equipes especializadas ao identificar colmeias próximas a casas, escolas ou áreas de circulação intensa. Além disso, reforça que a convivência entre áreas urbanas e a natureza exige planejamento, prevenção e resposta rápida, pois, quando ameaçada, a reação da natureza pode ser rápida, intensa e devastadora.