A Polícia Civil de São Paulo investiga as circunstâncias de uma tragédia ocorrida em uma academia localizada na Zona Leste da capital paulista, que terminou com a morte de uma jovem de 27 anos e deixou outras duas pessoas internadas em estado grave. O caso chamou atenção pela gravidade dos sintomas apresentados pelas vítimas e pela suspeita de falha no manuseio de produtos químicos usados na manutenção da piscina.

Jovem passa mal ao entrar na piscina e não resiste
A vítima foi identificada como Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. Ela havia ido à academia para realizar uma aula de natação, acompanhada do marido, Vinícius de Oliveira, de 31 anos. Um adolescente de 14 anos, que também utilizava o espaço, acabou sendo afetado pela mesma situação. Tanto o marido quanto o adolescente permanecem internados em estado grave.
De acordo com relatos de familiares, Juliana entrou na piscina e, quase imediatamente, começou a se sentir mal. Ela ainda tentou sair da água, mas já apresentava sinais intensos de indisposição. O casal foi socorrido às pressas e levado para um hospital em Santo André, na região do ABC Paulista. Apesar dos esforços da equipe médica, o quadro da jovem se agravou durante a madrugada, e ela não resistiu.
Testemunhas relataram momentos de pânico dentro da academia. Alunos que estavam no local afirmaram que várias pessoas passaram mal ao mesmo tempo, com sintomas como náuseas, vômitos e dificuldade para respirar. “Já vimos muita gente passando mal, o pessoal vomitando, deitado no chão”, relatou Eduardo Rossini, que presenciou a situação.
Suspeita de mistura inadequada de produtos químicos
A principal linha de investigação aponta para uma possível mistura incorreta de produtos químicos utilizados na limpeza e manutenção da piscina. Técnicos da polícia acreditam que a combinação inadequada de substâncias, como o cloro e outros agentes de limpeza, pode ter provocado a liberação de um gás altamente tóxico, invisível e extremamente perigoso.
Segundo especialistas, esse tipo de gás pode causar irritação severa nas vias respiratórias, dificuldade intensa para respirar e queimaduras internas, afetando principalmente nariz, garganta e pulmões. A polícia trabalha com a hipótese de que a inalação dessa substância tenha sido a causa dos sintomas graves apresentados pelas vítimas.
Durante a perícia, os investigadores recolheram um balde que teria sido usado por um funcionário da academia para realizar a mistura dos produtos. O objeto foi encontrado em um depósito, ao lado de outras embalagens de substâncias químicas usadas na manutenção da água da piscina. O local onde as pessoas passaram mal fica próximo ao ponto onde essa preparação teria sido feita.
Academia é interditada e família pede justiça
No decorrer das vistorias, a polícia constatou que a academia não possuía alvará de funcionamento, o que agravou ainda mais a situação. Diante do risco à saúde pública, o estabelecimento foi imediatamente interditado e está proibido de receber alunos até nova determinação das autoridades.
Em nota oficial, a academia afirmou lamentar profundamente o ocorrido e disse ter prestado assistência às pessoas atingidas. A administração também declarou que segue protocolos de limpeza e que estaria com a documentação regularizada. No entanto, a Polícia Civil afirma que os documentos encontrados no local não confirmam essa versão, e a situação administrativa do espaço segue sob apuração.
Enquanto as investigações continuam, a família de Juliana Faustino Bassetto cobra providências e responsabilização. Os parentes afirmam que a busca por justiça não tem motivação financeira, mas o objetivo de evitar que outras famílias enfrentem a mesma dor causada por um possível descuido ou negligência. O caso segue sendo apurado pela Polícia Civil de São Paulo, que aguarda laudos periciais para esclarecer, de forma definitiva, as causas da tragédia.
