Pastor Diz Que Pessoas Que Foram Comemorar Carnaval Terão Cân…Ver mais
Uma declaração feita durante culto em São Paulo gerou repercussão nas redes sociais e ampliou o debate envolvendo religião e Carnaval. Na segunda-feira (16), o pastor Elias Cardoso, da Assembleia de Deus de Perus, criticou o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que levou à avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante a pregação, o religioso afirmou que não responderia às provocações feitas no desfile, mas declarou que os envolvidos sofreriam consequências divinas. Sem mencionar nomes específicos, disse: “Não vamos responder às provocações que fizeram nas escolas de samba. (…) Tripudiaram em cima da nossa fé, não vamos responder. Vamos orar. A hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, eles vão lembrar com quem mexeram”.
A crítica está relacionada a uma ala da apresentação intitulada “Neoconservadores em Conserva”. Na encenação, diferentes segmentos apontados como opositores do presidente — entre eles representantes do agronegócio, defensores da Ditadura Militar, setores da elite e evangélicos — apareceram retratados dentro de latas de conserva.
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Declarações sobre resposta “divina”
No mesmo culto, o pastor afirmou que a resposta às críticas não viria das instituições brasileiras, mas de Deus. “Melhor representação não é no STF, não é na Justiça, não é no Ministério Público Federal, é lá em cima, direto do trono. Deus vai responder à provocação que fizeram contra a Igreja. (…) A Igreja do Senhor está coberta, amparada pelo Juiz do Supremo Tribunal Celestial”, declarou, em referência ao Supremo Tribunal Federal.
As falas foram gravadas por fiéis e passaram a circular nas redes sociais, provocando reações divergentes. Parte dos internautas considerou a declaração uma manifestação de indignação religiosa diante da representação no desfile. Outros classificaram a fala como exagerada e inadequada.
Reações no Sambódromo também foram divididas
A apresentação da Acadêmicos de Niterói no Sambódromo do Rio de Janeiro já havia gerado reações distintas entre o público. No Setor 1, considerado área popular, espectadores entoaram gritos de apoio ao presidente, repetindo o coro “Olé, olé, olá, Lula, Lula”, sem registro de vaias.
Já em um camarote patrocinado por uma cervejaria, parte do público reagiu com vaias e gestos de reprovação durante o samba-enredo. Um grupo menor demonstrou apoio, repetindo o gesto conhecido como “fazer o L”.
A escola abriu os desfiles do Grupo Especial com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, abordando a trajetória do presidente desde 1952. Lula não participou diretamente da apresentação, mas acompanhou o desfile de um camarote ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.
O episódio reforça como manifestações artísticas e religiosas continuam gerando debates intensos no cenário político e cultural do país.