Casos de violência contra a mulher continuam sendo uma das maiores preocupações das autoridades brasileiras, especialmente quando situações inicialmente tratadas como acidentes revelam indícios de crime ao longo das investigações. No Litoral Norte da Paraíba, um episódio ocorrido na noite da última segunda-feira (16) terminou com a morte de uma jovem de 23 anos e a prisão do namorado dela.
A vítima, Graça Rayla Cavalcante Oliveira, estava na garupa de uma motocicleta no município de Baía da Traição quando caiu do veículo em movimento e sofreu ferimentos graves na cabeça. Ela chegou a ser socorrida para uma unidade hospitalar da cidade, mas não resistiu aos ferimentos.
Inicialmente, o caso foi registrado como um possível acidente de trânsito. No entanto, as circunstâncias começaram a mudar durante a apuração conduzida pela Polícia Civil da Paraíba.
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Versões contraditórias e mudança no enquadramento do crime
De acordo com o delegado responsável pela investigação, Sylvio Rabelo, o condutor da motocicleta apresentou versões divergentes durante o interrogatório. Em um primeiro momento, alegou que a queda teria sido acidental.
Posteriormente, passou a relatar circunstâncias diferentes, que não se confirmavam com os elementos colhidos na investigação.
Com o avanço das diligências, os investigadores identificaram que o casal havia discutido momentos antes da queda. Confrontado novamente, o suspeito admitiu que, durante o desentendimento, empurrou a jovem da motocicleta.
Diante das novas informações, o caso deixou de ser tratado como acidente e passou a ser enquadrado como feminicídio — crime caracterizado quando a morte da mulher ocorre em contexto de violência doméstica ou por razões da condição de gênero.
Identificação do corpo
O corpo de Graça Rayla foi removido pelo Instituto de Polícia Científica e encaminhado ao Instituto Médico Legal de Guarabira para a realização dos exames periciais. O suspeito foi conduzido à delegacia local e, posteriormente, transferido para a Delegacia de Mamanguape, onde permanece à disposição da Justiça aguardando audiência de custódia.
A Polícia Civil informou que o inquérito segue em andamento e deve ser concluído nos próximos dias. O caso reforça a importância de apuração detalhada em mortes de mulheres ocorridas em contexto de conflito doméstico, sobretudo quando há indícios de versões contraditórias.
Dados de órgãos de segurança apontam que o feminicídio continua sendo um dos crimes que mais desafiam as autoridades no país, exigindo respostas rápidas e investigações minuciosas para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.