A prisão de um ex-vereador do interior do Ceará e de seu pai, suspeitos de envolvimento em um crime grave, trouxe forte repercussão na região norte do estado. O caso envolve acusações de latrocínio — roubo seguido de morte — contra um idoso de 77 anos, ocorrido no início de abril deste ano, no estado do Piauí. As circunstâncias da captura e os detalhes da investigação chamaram a atenção pela complexidade e pelo histórico dos envolvidos.
Juliano Magalhães Coelho, de 43 anos, conhecido como “Juliano Importados”, e seu pai, Sebastião Fernandes Coelho, de 68 anos, foram presos na tarde de segunda-feira (20), no município de Tianguá. A ação foi resultado de uma operação policial que cumpriu mandados de prisão e busca relacionados ao crime investigado.

Prisão em área isolada e transferência em análise
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De acordo com informações das autoridades, Juliano foi localizado escondido em uma chácara no sítio Riachinho, em uma área de difícil acesso, cercada por mata. Já o pai dele foi interceptado enquanto trafegava pela CE-187, rodovia que corta a região. Ambos foram conduzidos para Sobral, onde passaram por audiência de custódia na manhã de terça-feira (21).
Durante a audiência, foi decidido que os dois permanecerão presos. A expectativa agora gira em torno da transferência dos suspeitos para o estado do Piauí, onde o crime foi cometido. Segundo o Tribunal de Justiça do Ceará, a autorização judicial para o recambiamento já foi concedida, mas a responsabilidade pela transferência cabe ao Poder Executivo do Piauí.
A defesa informou que pai e filho devem retornar inicialmente para Tianguá, onde permanecerão à disposição da Justiça enquanto aguardam os próximos passos do processo. Além deles, outros três suspeitos também foram levados à audiência de custódia no domingo, embora suas identidades não tenham sido divulgadas até o momento.
Histórico do ex-vereador e investigação do crime
Juliano Magalhães exerceu mandato como vereador em Tianguá entre 2021 e 2024. Na tentativa de reeleição, acabou ficando como suplente. Paralelamente à vida política, ele atuava como empresário, com negócios voltados ao setor de veículos de carga e também mantinha uma loja de tecnologia no centro da cidade.
Segundo as investigações, a vítima do latrocínio teria demonstrado interesse na compra de um veículo comercializado por Juliano. Dias antes do crime, o ex-vereador chegou a gravar um vídeo com o idoso, celebrando a negociação. No registro, ele aparece desejando felicidades ao cliente pela aquisição do automóvel, o que posteriormente passou a integrar o conjunto de provas analisadas pelas autoridades.
Além deste caso, Juliano também responde a outro processo na Justiça do Ceará, relacionado à acusação de incitação ao suicídio de sua própria esposa, ocorrido em agosto de 2024. De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado, o processo ainda aguarda audiência de instrução, fase em que réu e testemunhas serão ouvidos antes da decisão final.
A Polícia Civil informou que o inquérito referente a esse outro caso foi concluído e encaminhado ao Judiciário em junho de 2025. Enquanto isso, o caso do latrocínio segue em investigação, e novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das apurações.
A repercussão do caso permanece intensa, especialmente pela ligação do principal suspeito com a vida pública e empresarial da região, o que aumenta o interesse da população pelos desdobramentos da investigação.