Há mais de três décadas, Adalgisa dedica sua vida integralmente aos cuidados da filha Grazy, hoje com 32 anos, diagnosticada com uma forma rara de hidrocefalia. A rotina da mãe foi completamente transformada desde o nascimento da filha, exigindo dedicação total, atenção constante e uma força emocional que atravessa gerações.
De acordo com informações divulgadas pelo portal Metrópoles, Grazy passou por uma cirurgia ainda nos primeiros meses de vida para a implantação de uma válvula cerebral, procedimento comum em casos de hidrocefalia. No entanto, o organismo da criança rejeitou o dispositivo, o que agravou ainda mais seu quadro clínico.
Na época, médicos chegaram a afirmar que ela teria poucos meses de vida. O prognóstico, no entanto, não se confirmou. Contra todas as expectativas, Grazy sobreviveu e hoje tem 32 anos, embora conviva com limitações severas. Ela não anda, não fala, não enxerga e depende de alimentação pastosa, além de cuidados contínuos ao longo de todo o dia.
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Desde então, Adalgisa assumiu sozinha a missão de cuidar da filha. A rotina envolve higiene, alimentação, troca de roupas e acompanhamento constante, já que qualquer descuido pode representar riscos à saúde de Grazy. Sem pausas ou descanso prolongado, a mãe vive uma realidade marcada por esforço físico e emocional contínuo.

Mãe enfrenta desafios sem apoio e faz apelo por ajuda
Moradoras de São José de Ribamar, no Maranhão, mãe e filha vivem em uma casa cedida pela prefeitura. Apesar da ajuda com a moradia, Adalgisa não conta com uma rede de apoio familiar ou estrutura adequada para dividir as responsabilidades do dia a dia.
O pai de Grazy é ausente, o que fez com que toda a carga de cuidados recaísse exclusivamente sobre a mãe. Ao longo dos anos, Adalgisa abriu mão de diversas oportunidades pessoais e profissionais para garantir o bem-estar da filha, enfrentando desafios silenciosos e uma rotina exaustiva.
Agora, já idosa e com sinais de desgaste físico, ela decidiu pedir ajuda pela primeira vez. O principal objetivo é conseguir assistência médica mais regular e, se possível, contratar uma cuidadora que possa auxiliá-la nas tarefas diárias.
Realidade expõe desafios enfrentados por cuidadores no Brasil
A história de Adalgisa e Grazy evidencia uma realidade enfrentada por muitas famílias brasileiras que convivem com pessoas com deficiência severa. A falta de apoio estruturado, acesso limitado a serviços especializados e ausência de políticas públicas eficazes tornam o cuidado ainda mais desafiador.
Casos como esse reforçam a importância de ampliar o acesso a programas de assistência social, atendimento domiciliar e suporte psicológico para cuidadores, que muitas vezes enfrentam jornadas solitárias e exaustivas.
Enquanto busca ajuda, Adalgisa segue cuidando da filha com a mesma dedicação de sempre, sustentada pela esperança de encontrar apoio para continuar oferecendo a Grazy o cuidado e a dignidade que sempre garantiu ao longo de mais de 30 anos.