A rotina em Atibaia, no interior de São Paulo, ganhou novos contornos com a história de Ivan Rocha. O motoboy de 36 anos, que já vivia uma realidade fora dos padrões convencionais ao manter um relacionamento com sete mulheres, agora se prepara para um desafio logístico e emocional ainda maior: a chegada de dois filhos simultâneos.
As gestações de Laís Rocha, de 27 anos, e Maria Eduarda Silva, de 19, trouxeram à tona discussões sobre as dinâmicas de famílias multiconjugais e a responsabilidade da paternidade presente em contextos complexos.
O Equilíbrio entre a Expansão da Família e a Responsabilidade
A notícia de que seria pai por dose dupla e ao mesmo tempo gerou um impacto imediato em Ivan. Embora a configuração familiar já fosse estabelecida sob a lógica da convivência múltipla, a introdução de novos membros traz demandas que vão além do afeto.
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O motoboy expressou publicamente a dualidade de sentimentos que o acompanha desde a confirmação das gravidezes. Para ele, a alegria da continuidade biológica é acompanhada por uma preocupação latente com a qualidade do tempo e do suporte que será oferecido a cada criança.

Ivan destaca que o período da primeira infância é uma fase de extrema vulnerabilidade, exigindo um nível de presença que pode ser difícil de conciliar quando se tem sete esposas e, agora, dois bebês em desenvolvimento. O desafio central reside em garantir que cada filho receba a atenção necessária, sem que a estrutura da casa se torne caótica.
A questão financeira também é um ponto de atenção, visto que o sustento de uma família desse porte exige um planejamento rigoroso, especialmente em uma profissão de alta demanda e riscos como a de motoboy.
Hierarquia de Cuidados e o Reconhecimento Simbólico
Dentro da casa, a dinâmica de como os bebês serão criados já foi estabelecida por meio de um acordo comum entre as mulheres. Laís, que possui um histórico de dez anos ao lado de Ivan, e Maria Eduarda, que se integrou ao grupo recentemente, no final de 2024, serão as figuras maternas primordiais de seus respectivos filhos.
As outras cinco esposas não ocuparão o papel de “mães secundárias”, mas sim de “tias”, criando uma rede de apoio que auxilia na rotina sem diluir a autoridade materna original. Essa divisão de papéis é uma estratégia para evitar conflitos de identidade e garantir que a criação seja organizada.
Paralelamente à organização doméstica, a família lida com a realidade jurídica do país. Como a legislação brasileira fundamenta-se na monogamia e não permite a formalização de uniões poliafetivas ou casamentos múltiplos, o grupo buscou uma alternativa para validar o compromisso que possuem entre si.
Eles planejam realizar um casamento coletivo simbólico em 2027. O evento não terá valor legal perante o cartório, mas servirá como um rito de passagem e uma afirmação social da união que escolheram construir, consolidando o laço entre os oito adultos e as crianças que estão por vir.