Menina Aceita Carona de Irmão Da Igreja Que Esgan…Ver mais

O relógio da justiça, embora por vezes lento, não para. Nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, o estado de Santa Catarina se volta para Florianópolis para acompanhar o desfecho de um dos episódios mais dolorosos de sua história recente.

Mais de uma década após o crime que interrompeu a vida da adolescente Ana Beatriz Schelter, de apenas 12 anos, o Tribunal do Júri finalmente começa a julgar os responsáveis por uma tragédia que mistura traição, crueldade e uma tentativa fria de enganar as autoridades. O caso, que remonta a março de 2016, deixou marcas profundas na pacata cidade de Rio do Sul e agora busca o seu ponto final no Judiciário.

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A Quebra da Confiança e a Emboscada no Caminho da Escola

O dia 2 de março de 2016 começou como qualquer outro para Ana Beatriz. Aluna do sétimo ano do Colégio Estadual Henrique da Silva Fontes, ela saiu de casa para um trajeto curto, de poucos minutos, que deveria levá-la à segurança da sala de aula. No entanto, o perigo não estava escondido em um beco escuro, mas personificado em uma figura conhecida: Mario Fleger. A investigação, conduzida pela Operação Fênix, revelou que a motivação dos suspeitos foi facilitada por um terrível abuso de confiança. Mario não era um estranho; ele frequentava a mesma igreja que a família da vítima e trabalhava em um estabelecimento colado à residência da menina.

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Essa proximidade foi a chave para que Ana Beatriz aceitasse a carona fatal. Dentro do veículo, além de Mario, estaria seu amigo João Vivaldino Córdova Lottin. A confiança depositada em um “conhecido da família” transformou-se em uma armadilha mortal. O corpo da adolescente foi encontrado na manhã seguinte, em um cenário desolador: dentro de um contêiner às margens da BR-470.

A perícia foi categórica ao apontar que a menina sofreu violência e morreu por asfixia causada por esganadura, um método que denota a brutalidade e o contato direto e violento dos agressores contra uma vítima indefesa de apenas 12 anos.

A Simulação de Suicídio e o Desafio Jurídico em Florianópolis

O que torna o caso Ana Beatriz ainda mais perverso foi a tentativa dos envolvidos de manipular a cena do crime. Segundo o Ministério Público, houve um esforço coordenado para que a morte da adolescente parecesse um suicídio. O objetivo era desviar o foco das investigações e garantir a impunidade dos executores.

Por essa razão, um terceiro homem, Marcel Aparecido Albuquerque, foi denunciado por fraude processual, acusado de ser o “arquiteto” da cena montada dentro do contêiner. A perícia técnica, contudo, desmascarou a farsa, provando que as marcas no corpo e a disposição dos elementos no local eram incompatíveis com o ato voluntário de tirar a própria vida.

Após anos de recursos e manobras jurídicas, o processo foi desmembrado. A sessão que se inicia hoje em Florianópolis — e não em Rio do Sul, para garantir a imparcialidade dos jurados diante da forte comoção regional — julga o primeiro dos acusados. Os demais enfrentarão o júri popular em 25 de junho de 2026.

A transferência do julgamento para a capital do estado sublinha a magnitude do caso; a memória de Ana Beatriz Schelter tornou-se um símbolo da luta contra a violência infantil e da exigência por rigor na segurança pública. Para a família, que esperou mais de dez anos por este dia, o julgamento representa mais do que uma sentença: é o reconhecimento oficial de que a vida de Ana Beatriz importa e que o mal cometido sob o manto da confiança não ficará sem resposta.

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