A brutalidade do crime que chocou a cidade de Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, ganhou um novo capítulo jurídico com a conclusão do inquérito policial. A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) indiciou formalmente os irmãos Ronivaldo Rocha dos Santos e Evangelista Rocha dos Santos por tentativa de feminicídio.
O caso, ocorrido no dia 1º deste mês, envolveu a mutilação das mãos de Ana Clara de Oliveira, de apenas 21 anos, utilizando uma foice, em um ato que as autoridades descreveram como de “violência extrema e cruel”.
De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia Municipal de Quixeramobim, o crime foi meticulosamente planejado e executado sob um pretexto de covardia e possessividade. O relatório assinado pelo delegado William Soares Lopes destaca que os agressores utilizaram de dissimulação para atrair a vítima, convencendo-a a abrir a janela de sua residência antes de iniciarem o ataque. Esse detalhe foi crucial para o indiciamento, uma vez que configura o uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.
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O Contexto de Violência e a Dinâmica do Ataque
O histórico do relacionamento entre Ana Clara e seu ex-companheiro, Ronivaldo, já era marcado por um ciclo de abusos. A polícia detalhou que a jovem vivia sob constante pressão, enfrentando agressões físicas, humilhações e ameaças de morte. O comportamento possessivo de Ronivaldo culminou no ataque do dia 1º, onde ele não agiu sozinho.
Enquanto Evangelista, seu irmão e cunhado da vítima, desferia os golpes de foice que deceparam as mãos da jovem, Ronivaldo assistia à cena e incitava a violência, garantindo que o ato de barbárie fosse consumado.
Para os investigadores, a natureza do crime foi “desproporcional”, revelando um desprezo absoluto pela vida e pela integridade da mulher. O indiciamento por tentativa de feminicídio reflete a compreensão de que o objetivo final, dentro daquele cenário de ódio de gênero e violência doméstica, era a destruição da vítima, física e psicologicamente.
Custódia e Desdobramentos Jurídicos
Após a repercussão do caso e a prisão imediata dos suspeitos em Quixeramobim, os irmãos foram transferidos para a Unidade Prisional de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. A transferência ocorreu por medidas de segurança e para garantir o fluxo dos procedimentos judiciais. A permanência da dupla no sistema prisional é vista pelas autoridades como fundamental para a preservação da ordem pública, dada a gravidade e o impacto social causado pela crueldade do crime.
Agora, o relatório da Polícia Civil segue para o Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento da denúncia à Justiça. Ana Clara, por sua vez, enfrenta um longo e doloroso processo de recuperação física e psicológica. O caso reacendeu o debate sobre a eficácia das medidas protetivas e a necessidade de punições severas em crimes de violência contra a mulher no interior do estado, onde o isolamento muitas vezes silencia as vítimas antes que tragédias dessa magnitude aconteçam.
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