Menino tem perna amputada em Recife após mordida de tubarão na pra…Ver mais

A região metropolitana do Recife vive dias de apreensão e luto após a ocorrência de dois graves incidentes envolvendo ataques de tubarão em um intervalo de apenas 24 horas. O caso mais recente ocorreu na Praia de Boa Viagem, onde uma jovem de 19 anos foi atacada em um ponto conhecido pela frequência de banhistas.

A vítima foi rapidamente retirada da água por testemunhas que presenciaram a cena e, em seguida, socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros, que realizaram os primeiros procedimentos emergenciais antes de encaminhá-la ao Hospital Alfa. Devido à extrema gravidade do quadro, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) transferiu a jovem para o Hospital da Restauração (HR), referência em traumas no estado.

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De acordo com o Dr. Petrus Andrade Lima, diretor-geral do Hospital da Restauração, a paciente deu entrada na unidade em estado crítico, já intubada e apresentando uma amputação traumática no nível da coxa. A equipe médica agiu com celeridade, encaminhando a jovem diretamente ao bloco cirúrgico para conter hemorragias e estabilizar as funções vitais. Atualmente, ela permanece sob observação rigorosa na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde seu estado de saúde é monitorado constantemente por uma equipe multidisciplinar.

Especialistas do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) realizaram uma avaliação preliminar baseada nos ferimentos e relatos, indicando que o animal responsável pelo ataque foi um tubarão-tigre adulto, com aproximadamente 3 metros de comprimento.

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A sucessão de tragédias e a vulnerabilidade na orla

Este ataque em Boa Viagem não é um fato isolado, mas sim o segundo episódio de violência marinha registrado no Grande Recife em um curtíssimo espaço de tempo. Apenas 24 horas antes deste ocorrido, no domingo (31), o pânico tomou conta da Praia de Piedade, situada no município vizinho de Jaboatão dos Guararapes. Na ocasião, a vítima foi um menino de apenas 11 anos de idade, que se banhava em uma área que, segundo especialistas, possui características geográficas que favorecem a aproximação desses animais. Diferente do caso da jovem, acredita-se que o agressor do garoto tenha sido um tubarão da espécie cabeça-chata, conhecido por sua agressividade e capacidade de circular em águas mais rasas.

A criança sofreu lacerações profundas e extensas na coxa e na mão esquerda. O resgate foi dramático, marcado por uma intensa perda de sangue que colocou a vida do menino em risco imediato. Ao chegar ao Hospital da Restauração em estado gravíssimo, ele foi submetido a intervenções cirúrgicas de alta complexidade. Infelizmente, os danos vasculares e teciduais causados pela potência da mordida tornaram impossível a preservação do membro inferior, obrigando a equipe médica a realizar a amputação da perna esquerda para salvar a vida do paciente.

Monitoramento e o estado clínico das vítimas

A situação dos dois pacientes reflete a gravidade do problema de segurança pública e ambiental na costa pernambucana. O menino de 11 anos permanece internado na UTI Pediátrica do HR. Embora seu quadro ainda seja classificado como grave, os últimos boletins médicos trazem uma leve ponta de esperança: ele está estável e apresenta sinais positivos de evolução clínica após os procedimentos realizados na perna e na mão fraturada. A recuperação, no entanto, será longa e exigirá acompanhamento fisioterápico e psicológico intensivo.

Enquanto isso, as autoridades reforçam os alertas de perigo em toda a orla. O Cemit destaca que as condições de visibilidade da água e as correntes marítimas podem ter contribuído para a aproximação dos predadores. O governo estadual e as prefeituras locais buscam formas de intensificar a fiscalização, uma vez que o desrespeito às placas de sinalização tem resultado em consequências irreversíveis. A sucessão de ataques reacende o debate sobre o equilíbrio ecológico na região e a necessidade urgente de novas estratégias para evitar que o lazer nas praias do Recife continue a ser interrompido por tragédias dessa magnitude.

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