Um novo laudo pericial produzido no fim do ano passado trouxe detalhes sobre a piora do estado de saúde mental de Adélio Bispo, autor da facada contra o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro, em 2018. O documento foi elaborado no contexto de uma reavaliação solicitada para verificar a possibilidade de mudança na custódia do réu, considerado inimputável pela Justiça.
Segundo os peritos, Adélio apresentou agravamento significativo do quadro psiquiátrico enquanto permanece detido na Penitenciária Federal de Campo Grande, o que afasta, neste momento, qualquer possibilidade de flexibilização do regime.

Laudo aponta delírios e perda do senso de realidade
Durante a avaliação, realizada em novembro, Adélio relatou aos peritos delírios de grandeza, afirmando que poderia se candidatar à Presidência da República. Em meio às declarações, mencionou que teria como sede política o Palácio do Planalto.
Questionado sobre a composição de uma eventual chapa presidencial, afirmou “com firmeza” que sua primeira escolha seria a jornalista Patrícia Poeta. Em seguida, declarou que, caso houvesse recusa, optaria pelo também jornalista William Bonner.
No laudo, os peritos destacam que tais manifestações denotam comprometimento do senso de realidade e exacerbação da autoestima delirante, reforçando o diagnóstico de transtorno psicótico persistente. As falas foram classificadas como incompatíveis com a realidade política e jurídica do país.
Avaliação clínica descreve agravamento do quadro
O relatório técnico descreve Adélio como alguém de humor subjetivo tranquilo, porém ansioso e tenso ao longo da entrevista. Os peritos observaram ainda afeto reduzido e empobrecido, com pouca variação emocional durante todo o exame psiquiátrico.
Segundo a avaliação, o réu apresenta juízo fortemente comprometido, além de percepção distorcida tanto da realidade quanto das consequências do ataque cometido contra o então candidato. O diagnóstico de esquizofrenia paranoide foi novamente confirmado, com indicação de que os sintomas se intensificaram durante o período de encarceramento.
Os especialistas ressaltam que o ambiente prisional não promoveu melhora clínica e que o quadro exige acompanhamento contínuo e medidas compatíveis com a condição mental apresentada.
Reavaliação afasta possibilidade de mudança de custódia
A nova perícia foi solicitada para analisar se haveria condições de alterar a situação de custódia de Adélio Bispo. No entanto, a conclusão técnica indica que o agravamento do quadro psiquiátrico impede qualquer flexibilização neste momento.
Por ser considerado inimputável, Adélio não cumpre pena nos moldes tradicionais, mas permanece sob custódia por medida de segurança. O laudo reforça que as manifestações registradas durante o exame não representam intenções reais, mas expressões delirantes decorrentes do transtorno mental persistente.
O caso segue sob acompanhamento das autoridades judiciais e de saúde, com base nas conclusões apresentadas pelos peritos. Novas reavaliações poderão ser realizadas conforme critérios técnicos e determinações da Justiça.