A morte da ajudante geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem policial na Zona Leste de São Paulo, segue gerando repercussão e novos desdobramentos. Pela primeira vez desde o ocorrido, a defesa da policial militar envolvida no caso se manifestou publicamente, apresentando sua versão dos fatos.
A soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, foi responsável pelo disparo que atingiu Thawanna na madrugada do dia 3 de abril, em Cidade Tiradentes. O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, que busca esclarecer a dinâmica do ocorrido.

Defesa afirma que policial agiu dentro da lei
Mais acessadas do dia
Em entrevista ao portal UOL, o advogado Alexandre Souza Guerreiro afirmou que a policial “agiu dentro da lei” e que efetuou apenas um disparo. Segundo ele, a soldado teria reagido diante de uma situação que considerou de risco.
De acordo com a versão apresentada pela defesa, Yasmin afirmou em depoimento que foi confrontada por Thawanna durante a abordagem. A policial relatou que a vítima teria invadido seu espaço pessoal e desferido tapas, além de avançar em sua direção, o que teria gerado temor de que sua arma fosse alcançada.
Ainda conforme o depoimento, a PM tentou inicialmente afastar a mulher com empurrões e chutes, mas, diante da continuidade da situação, decidiu efetuar o disparo. A defesa também declarou que a policial solicitou socorro imediatamente após o ocorrido.
Yasmin foi ouvida na última quarta-feira (8), na sede do DHPP, e, até o momento, não há previsão de novo depoimento. Após a repercussão do caso, ela foi afastada das atividades nas ruas, mas segue vinculada à corporação.
Versões divergentes e investigação em andamento
Apesar da versão apresentada pela defesa, o caso é marcado por divergências importantes. O marido da vítima, Luciano Gonçalves Santos, afirmou que Thawanna não tentou pegar a arma da policial e pediu justiça durante seu depoimento às autoridades.
Ele também contestou a informação de que o socorro teria sido imediato, alegando que a esposa só foi atendida cerca de 30 minutos após ser atingida. Thawanna foi baleada no abdômen, socorrida e encaminhada a uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.
Testemunhas que presenciaram a abordagem também foram ouvidas pelo DHPP, e seus relatos serão fundamentais para a reconstrução dos fatos. A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar todos os detalhes da ocorrência.
Outro ponto que chama atenção é o tempo de atuação da policial. Yasmin ingressou na corporação em janeiro de 2025 e está em período de estágio supervisionado, com cerca de três meses de atuação nas ruas. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo foi questionada sobre o uso de armamento por policiais em formação, mas informou que a situação ainda está sob análise.
Enquanto as investigações avançam, o caso segue mobilizando a opinião pública e levantando debates sobre o uso da força em abordagens policiais. A expectativa é que os depoimentos, laudos e demais provas permitam esclarecer o que de fato aconteceu naquela madrugada.