A condenação dos irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão pelas mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes provocou forte repercussão internacional e foi classificada por veículos estrangeiros como um dos julgamentos mais simbólicos da história recente do Brasil. O caso, que durante anos mobilizou manifestações, campanhas e pressão por respostas, ganhou novo capítulo após a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Nesta quarta-feira, 25, os ministros condenaram, por unanimidade, os irmãos a 76 anos e três meses de prisão, além da perda dos direitos políticos. Eles foram responsabilizados por organização criminosa armada, pelos homicídios de Marielle e Anderson e pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu ao atentado ocorrido em março de 2018, no centro do Rio de Janeiro.
A decisão encerra uma das etapas mais aguardadas do processo judicial e reforça a responsabilização dos apontados como mandantes do crime, considerado por especialistas um ataque direto à democracia.
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Imprensa internacional classifica como assassinato político mais relevante da década
A repercussão foi imediata em veículos de grande circulação mundial. O The New York Times destacou que Marielle era uma vereadora preta, lésbica e feminista, reconhecida por sua atuação firme contra o racismo institucional e abusos de poder. O jornal ressaltou que sua morte desencadeou uma longa e persistente luta por justiça, acompanhada de perto por organizações de direitos humanos.
Já o britânico The Guardian apontou o caso como exemplo preocupante das conexões entre política, milícias e forças de segurança no Rio de Janeiro. Especialistas ouvidos pelo veículo afirmaram que o episódio expôs a profundidade das relações entre estruturas criminosas e setores do poder público.
O espanhol El País relembrou o clamor que ecoou por anos no Brasil com a pergunta “Quem matou Marielle Franco?” e destacou que a decisão judicial finalmente trouxe uma resposta formal ao questionamento que se tornou símbolo de mobilização nacional.
Voto do relator reforça existência de organização criminosa
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, afirmou em seu voto haver “farta prova” de que os réus integravam organização miliciana e atuaram como mandantes do crime. O entendimento foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
Segundo Moraes, o conjunto probatório demonstrou planejamento estruturado e atuação coordenada para executar o atentado. A decisão também determinou a perda dos direitos políticos dos condenados, ampliando os efeitos da sentença.
O julgamento representa um marco no enfrentamento à violência política no país. Para observadores internacionais, a condenação sinaliza avanço institucional no combate à impunidade e reforça a importância da independência do Judiciário em casos de grande repercussão.
O assassinato de Marielle Franco ultrapassou fronteiras e se transformou em símbolo global da luta por justiça e direitos humanos. A decisão do STF, agora, entra para a história como um dos capítulos mais relevantes desse processo.