Após Sete Anos, Adélio Bispo Que Atacou Bolsonaro Acab…Ver mais

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O atentado contra Jair Bolsonaro, ocorrido em setembro de 2018, segue sendo um dos episódios mais marcantes da história política recente do país. Durante um ato de campanha em Juiz de Fora, o então candidato à Presidência foi esfaqueado no abdômen, em um ataque que chocou o Brasil e alterou de forma definitiva o curso da eleição daquele ano.

O autor do ataque, Adélio Bispo de Oliveira, foi preso em flagrante logo após o crime. À época com 40 anos, ele desferiu o golpe em meio à multidão, configurando o primeiro atentado físico contra um postulante ao Palácio do Planalto desde a redemocratização.

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Enquadramento legal e inimputabilidade

Inicialmente, Adélio foi enquadrado na antiga Lei de Segurança Nacional pelo crime de “atentado pessoal por inconformismo político”. A legislação previa pena de reclusão de três a dez anos, podendo chegar a 20 anos em caso de lesão corporal grave, como ocorreu no ataque.

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No entanto, durante o processo judicial, Adélio foi submetido a exames psiquiátricos que apontaram diagnóstico de transtorno delirante persistente. Com base nesse laudo, a Justiça concluiu que ele era inimputável, ou seja, legalmente incapaz de responder criminalmente pelos próprios atos. Diante disso, deixou de ser aplicada uma pena de prisão convencional.

Em substituição, foi determinada uma medida de segurança, com internação por tempo indeterminado. Desde então, Adélio permanece custodiado na Penitenciária Federal de Campo Grande, em regime de segurança máxima, sob internação psiquiátrica e isolamento rigoroso.

Disputa judicial sobre transferência e prazo de internação

Em fevereiro de 2024, a Justiça Federal de Campo Grande determinou a transferência de Adélio para Minas Gerais, com o objetivo de que ele passasse a receber tratamento ambulatorial ou fosse internado em uma unidade psiquiátrica adequada. A decisão, porém, não se concretizou.

Em julho do mesmo ano, o Superior Tribunal de Justiça suspendeu a transferência, alegando conflito de competência entre tribunais e a inexistência de vaga disponível em hospital psiquiátrico mineiro. Com isso, Adélio permaneceu no sistema penitenciário federal.

Pelo entendimento atual da Justiça, a internação deve se estender até que ele complete 60 anos de idade, o que ocorrerá em 2038. Atualmente, Adélio tem 47 anos. Relatórios oficiais indicam ainda que ele se recusa a receber tratamento psiquiátrico e sustenta a versão de que agiu sozinho.

Investigações da Polícia Federal e tese do “lobo solitário”

Dois dias após o atentado, a Justiça autorizou a quebra do sigilo de quatro celulares e de um notebook apreendidos com Adélio. Em 28 de setembro de 2018, a Polícia Federal concluiu que o agressor agiu sozinho, sem participação de terceiros.

Mesmo assim, um segundo inquérito foi aberto para aprofundar as investigações e apurar eventual apoio financeiro, logístico ou ideológico. Após a análise de comunicações, registros bancários e deslocamentos, o inquérito foi encerrado em maio de 2020 com a mesma conclusão: não houve mandantes nem cúmplices.

O caso permanece como referência nos debates sobre segurança em campanhas eleitorais, saúde mental e limites do sistema penal. Passados mais de sete anos, o atentado continua sendo lembrado como um divisor de águas na política brasileira e um episódio cercado de questionamentos, mas com conclusões judiciais já consolidadas.

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