Natal viveu, na noite deste domingo (11), um dos momentos mais emocionantes da cultura potiguar nos últimos anos. O Teatro Alberto Maranhão abriu as portas para o velório da atriz Titina Medeiros, reunindo familiares, amigos, artistas, autoridades e admiradores que foram se despedir de uma das maiores referências da arte do Rio Grande do Norte.
Mesmo com o início oficial previsto para as 22h, o teatro já estava tomado por homenagens antes desse horário. Representantes da cena cultural, pessoas próximas à atriz e a governadora Fátima Bezerra chegaram cedo ao local, em um clima marcado por silêncio, abraços apertados e profunda comoção. O espaço histórico tornou-se cenário de um adeus coletivo, carregado de simbolismo para quem acompanhou a trajetória da artista.

Último aplauso no palco que marcou sua história
Às 22h40, o caixão com o corpo de Titina Medeiros entrou no Teatro Alberto Maranhão pela porta principal, carregado por produtores culturais. O momento foi recebido com uma longa salva de palmas, gritos de carinho e lágrimas. Para muitos presentes, aquele foi o último aplauso dedicado à atriz em um palco que tantas vezes celebrou seu talento e sua entrega à arte.
O caixão foi conduzido até o centro do palco, cercado por coroas de flores enviadas por fãs, amigos e instituições culturais. Em seguida, a cortina foi fechada por cerca de dez minutos, reservando um instante íntimo de despedida exclusiva para os familiares. Quando reaberta, o público pôde se aproximar e prestar as últimas homenagens, em um fluxo constante de pessoas emocionadas.
O ator César Ferrario, esposo de Titina, permaneceu ao lado do caixão e recebeu abraços, palavras de conforto e manifestações de solidariedade. A cena refletia o afeto construído pela atriz ao longo da vida e da carreira, tanto no meio artístico quanto fora dele.

Cultura potiguar reunida em um adeus coletivo
A presença expressiva de artistas, produtores e fazedores de cultura do Rio Grande do Norte reforçou a importância de Titina Medeiros para o teatro, a televisão e o audiovisual brasileiro. O velório transformou o Teatro Alberto Maranhão — símbolo da cultura potiguar — em um espaço de celebração da memória, da resistência cultural e do legado deixado pela atriz.
Muitos dos presentes destacaram a contribuição de Titina para a valorização da identidade nordestina nas artes cênicas, lembrando sua atuação comprometida com projetos culturais, formação de novos artistas e defesa da cultura local. O clima era de tristeza, mas também de reconhecimento pela trajetória construída com autenticidade e paixão.

Despedida segue para Acari, terra de suas raízes
Após a cerimônia em Natal, o corpo de Titina Medeiros seguiu para Acari, cidade onde construiu suas raízes e manteve forte ligação afetiva. O velório acontece a partir das 14h, na Casa de Cultura local, com encerramento previsto para as 17h. Em seguida, será realizado o sepultamento no cemitério da cidade.
Nascida em Currais Novos, Titina — nome artístico de Izabel Cristina de Medeiros — foi criada em Acari e sempre se declarou ligada ao Seridó. A atriz enfrentava um câncer de pâncreas e morreu na manhã deste domingo (11), aos 49 anos. Sua partida deixa um vazio profundo, mas também um legado que seguirá vivo na memória cultural do Rio Grande do Norte e do Brasil.