A mãe do padrasto das crianças desaparecidas em Bacabal, no interior do Maranhão, falou pela primeira vez sobre o caso e trouxe revelações que ajudaram a esclarecer rumores que circulam desde o sumiço dos pequenos Allan Michael, de quatro anos, e Ágatha Isabelly, de seis. Em entrevista recente, Maria do Amparo negou qualquer envolvimento no desaparecimento e detalhou conflitos familiares ocorridos pouco antes do caso, que vinham sendo usados para alimentar suspeitas nas redes sociais.
As crianças desapareceram há 27 dias, junto com o primo Anderson Kauã, de oito anos. Três dias depois, Anderson foi encontrado sozinho em uma estrada da região. Desde então, Allan e Ágatha continuam desaparecidos, mantendo familiares e a população local em estado de angústia e apreensão.

Conflito familiar existiu, mas sem relação com o desaparecimento
Desde os primeiros dias após o sumiço, rumores passaram a associar o padrasto das crianças, Márcio, e sua mãe ao caso. A Polícia Civil chegou a investigar o padrasto, mas ele foi oficialmente descartado como suspeito. Ainda assim, comentários sobre uma suposta briga envolvendo Márcio, sua mãe e a mãe das crianças continuaram ganhando força.
Maria do Amparo confirmou que houve, sim, um conflito familiar pouco antes do desaparecimento. Segundo ela, a relação com o filho ficou abalada quando ele deixou a esposa, com quem tinha filhos, para se relacionar com Clarice Cardoso. Em um momento de raiva, Maria admitiu ter jogado uma cadeira em Márcio.
“O que teve foi isso. Eu cheguei lá, pedi uma cadeira e taquei na cabeça do meu filho. Mas nunca fiz nada com a Clarice. Jamais faria algo com ela”, afirmou. Ela reforçou que o episódio foi motivado por sentimentos pessoais e não tem qualquer ligação com o desaparecimento das crianças.
Maria do Amparo nega envolvimento e relata apoio à mãe das crianças
Durante a entrevista, Maria do Amparo foi enfática ao afirmar que não tem nada contra Allan e Ágatha. Segundo ela, o contato com Clarice se intensificou apenas após o desaparecimento dos pequenos. Maria contou que esteve na casa da mãe das crianças algumas vezes, oferecendo apoio emocional em um momento de extrema dor.
“Eu fui lá umas três vezes nesse período. Dei apoio, conversei. Ela é uma ótima pessoa e me recebeu bem num momento em que estava muito angustiada”, relatou. Maria também disse que sofre profundamente com o caso, por ser mãe e avó, e comparou a dor ao luto recente pela perda do marido.
“Eu estou sofrendo também. Sou mãe, sou avó. Imaginar a dor de perder um filho desse jeito é algo que machuca demais”, desabafou.
Silêncio da família e desconfiança de que crianças foram levadas
Apesar da repercussão, Clarice Cardoso e Márcio seguem evitando entrevistas. Segundo Mary Coymbra, que mantém contato frequente com Clarice, o silêncio é uma forma de proteção diante do sensacionalismo e da disseminação de fake news.
Mary afirmou ainda que Clarice não acredita que os filhos tenham se perdido sozinhos na mata. Para ela, as crianças teriam sido levadas por alguém, embora a mãe diga não conseguir imaginar que uma pessoa próxima fosse capaz de algo assim.
“Ela sempre diz que alguém levou seus filhos, mas não consegue apontar ninguém. Tudo que conversamos, eu digo para ela relatar ao delegado”, explicou Mary.
Enquanto as investigações continuam, o caso segue cercado de dor, incertezas e apelos por respostas. A família aguarda avanços concretos que possam levar ao paradeiro de Allan Michael e Ágatha Isabelly, mantendo viva a esperança de encontrá-los.