A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro detalhou, nesta quarta-feira (07), o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro após ele sofrer uma queda dentro da cela onde cumpre pena, na Polícia Federal, em Brasília.
O acidente ocorreu na madrugada de terça-feira e resultou em traumatismo craniano, exigindo a transferência do ex-mandatário para o Hospital DF Star. A remoção foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Queda na cela e quadro clínico preocupante
De acordo com Michelle, o estado de saúde de Jair Bolsonaro inspira cuidados. O ex-presidente, que tem 70 anos, apresenta dores intensas, confusão mental e falhas de memória recente. Em conversa com jornalistas na saída do hospital, a ex-primeira-dama descreveu um cenário de sofrimento físico significativo.
Segundo ela, Bolsonaro demonstrou dificuldade para se expressar logo após o acidente e não conseguia se recordar claramente do que havia ocorrido. “Ele não conseguia falar, ele não se lembrava”, relatou Michelle, ao comentar os momentos posteriores à queda.
A internação no DF Star tem como objetivo a realização de exames de imagem detalhados e o monitoramento neurológico, para avaliar a extensão do traumatismo craniano e descartar complicações mais graves. O quadro é acompanhado de perto por uma equipe médica especializada.
Relato emociona ao citar desespero e fragilidade emocional
Durante o depoimento à imprensa, Michelle Bolsonaro fez um relato que chamou atenção pelo tom emocional. Segundo ela, a intensidade das dores levou o ex-presidente a um estado de desespero psicológico, agravado pelo ambiente de reclusão e pelo impacto físico do acidente.
“Eu vi ele pedindo para Deus levá-lo, porque ele não aguentava mais a dor”, afirmou a ex-primeira-dama. De acordo com Michelle, Bolsonaro entrou em um verdadeiro “modo de sobrevivência”, tentando lidar simultaneamente com o sofrimento físico e o abalo emocional provocado pela situação.
Ela também levantou a hipótese de que o acidente tenha sido causado por uma falha estrutural dentro da cela. Conforme explicou, há um degrau entre o dormitório e o banheiro, o que pode ter contribuído para o desequilíbrio e a queda durante a madrugada.
Histórico médico agrava preocupação da família
O estado de saúde de Jair Bolsonaro é considerado delicado devido ao seu histórico médico desde 2018. Ao longo dos últimos oito anos, o ex-presidente passou por nove cirurgias, a maioria relacionada a complicações intestinais decorrentes do atentado sofrido durante a campanha eleitoral.
Michelle explicou que, antes da prisão, havia uma rotina de vigilância constante em casa, justamente pelo receio de quedas, desmaios e episódios de fraqueza física. A internação hospitalar, segundo ela, é fundamental para garantir cuidados compatíveis com a idade e as condições clínicas do ex-mandatário.
Apesar da autorização judicial para a transferência emergencial, a defesa de Bolsonaro segue em diálogo com o Judiciário para assegurar que o acompanhamento médico seja adequado e contínuo, considerando as patologias prévias e os riscos associados ao traumatismo craniano.
O caso segue sendo acompanhado de perto, enquanto novos boletins médicos são aguardados para esclarecer a evolução do quadro clínico.