A situação de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou ao centro do debate jurídico e político, após a defesa afirmar que ele precisa passar por uma cirurgia urgente, enquanto o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a realização de novos exames antes de autorizar qualquer internação hospitalar. O ex-presidente cumpre pena na sede da Polícia Federal, em Brasília, e familiares voltaram a solicitar a conversão da prisão em regime domiciliar por motivos humanitários.

Defesa aponta cirurgia como único tratamento possível
No domingo, a defesa de Jair Bolsonaro informou que ele foi diagnosticado com duas hérnias inguinais, condição que, segundo os advogados, exige intervenção cirúrgica. O advogado João Henrique de Freitas explicou que o diagnóstico foi confirmado por meio de uma ecografia realizada dentro da própria sede da Polícia Federal, utilizando um aparelho portátil de ultrassom.
De acordo com Freitas, a equipe médica que acompanha o ex-presidente teria sido categórica ao afirmar que a cirurgia é o único tratamento definitivo para o problema. A informação ganhou repercussão após ser divulgada nas redes sociais por Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, que ressaltou que exames anteriores já indicavam a necessidade do procedimento e que a situação clínica não seria recente.
A defesa sustenta que a permanência de Bolsonaro em ambiente prisional, ainda que sob custódia especial, pode agravar seu estado de saúde, sobretudo diante do histórico médico complexo acumulado nos últimos anos. Por esse motivo, foi solicitado ao STF que autorizasse a internação imediata para a realização da cirurgia.
Moraes nega pedido e exige novos exames médicos
O pedido, no entanto, foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Na decisão, Moraes argumentou que não ficou caracterizada uma situação de urgência médica que justificasse a autorização imediata para internação hospitalar. Segundo o ministro, Bolsonaro vem recebendo acompanhamento médico regular desde que foi levado para a sede da Polícia Federal.
Outro ponto destacado foi o fato de que os exames apresentados pela defesa seriam antigos, sendo o mais recente realizado há cerca de três meses. Na avaliação do ministro, não havia nos documentos indicativo claro de necessidade cirúrgica imediata, tampouco de risco iminente à vida do ex-presidente.
Diante disso, Moraes determinou que a Polícia Federal providencie uma nova avaliação médica, com exames atualizados, para que a Justiça possa decidir com base em informações mais recentes e precisas. A decisão provocou reação da família, especialmente de Carlos Bolsonaro, que criticou publicamente a exigência de novos exames e comparou o tratamento dado ao pai ao de outros presos que, segundo ele, não enfrentariam as mesmas restrições para realizar procedimentos cirúrgicos.
Quadro de saúde reforça pedido de prisão domiciliar
Além das hérnias inguinais, Jair Bolsonaro, de 70 anos, enfrenta outros problemas de saúde. Entre eles estão crises recorrentes de soluços, que já motivaram atendimentos médicos em ocasiões anteriores, um câncer de pele em estágio inicial e sequelas das diversas cirurgias abdominais realizadas após a facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018.
Esses fatores vêm sendo usados pela defesa e por familiares como argumento central para o pedido de prisão domiciliar humanitária. Eles alegam que o conjunto de enfermidades torna inadequada a manutenção do ex-presidente em regime de custódia, mesmo em uma unidade da Polícia Federal, e que o tratamento médico seria mais eficaz em ambiente domiciliar.
Bolsonaro está preso desde o fim de novembro, quando foi detido após tentar retirar a tornozeleira eletrônica com o auxílio de um soldador. Condenado a 27 anos de prisão, ele permanece sob forte atenção pública, com cada decisão judicial relacionada à sua saúde gerando repercussão política e social.
Enquanto a Polícia Federal se prepara para realizar novos exames, o impasse segue no STF. A expectativa da defesa é de que a atualização do laudo médico comprove a necessidade da cirurgia e fortaleça o pedido de flexibilização do regime de prisão, mantendo o tema da saúde do ex-presidente como um dos pontos mais sensíveis do processo.