Meses atrás, o país entrou em luto pela morte de Preta Gil, que enfrentou por dois anos uma dura batalha contra o câncer. Sua partida deixou um vazio entre familiares, amigos e admiradores, que seguiram multiplicando homenagens desde então.
Dona de uma presença marcante e de uma personalidade única, a cantora deixou registrado um desejo muito particular sobre o que gostaria que fosse feito após sua morte — um pedido que acabou se tornando um dos gestos mais simbólicos de sua despedida.

O desejo incomum de Preta e a entrega das cinzas ao laboratório
Entre conversas íntimas com pessoas próximas, Preta já havia mencionado que desejava que suas cinzas fossem transformadas em diamantes. A ideia, para ela, simbolizava resistência, eternidade e a possibilidade de permanecer de forma física junto aos que amava. Gominho, um dos amigos mais próximos da artista, resumiu esse significado com uma frase que emocionou o público: “É igual diamante. Não quebra. A Preta é isso…”.
Para atender ao pedido, a família entregou parte das cinzas da cantora a um laboratório especializado em São Paulo, responsável por transformar o carbono presente nos restos cremados em pedras preciosas através de técnicas avançadas de pressão e temperatura.
Segundo pessoas ligadas ao processo, o laboratório vendeu o procedimento completo à família, que recebeu as joias prontas conforme havia sido combinado. Esse detalhe reforçou ainda mais a exclusividade e o cuidado envolvidos na realização do último desejo da artista.
O Fantástico exibiu, no domingo (23), imagens detalhadas do processo. As cinzas foram analisadas quimicamente, isolando o carbono que serviria de base para a criação dos diamantes sintéticos. O resultado foi a produção de 12 peças, estimadas em cerca de R$ 3.800 cada, destinadas a familiares e amigos selecionados por Preta. Para todos eles, receber a joia foi uma forma de manter a cantora perto do coração, de maneira literal e simbólica.

Como funciona o processo que transforma cinzas em diamante
A tecnologia utilizada para transformar cinzas em diamante é semelhante às condições naturais de formação das pedras no interior da Terra. De acordo com o químico Dennys Alves, as cinzas são submetidas a temperaturas próximas de 3.000 graus e a uma pressão tão intensa que equivale ao peso do Monte Everest concentrado na ponta de uma agulha. O carbono extraído dos restos mortais é compactado até atingir a estrutura cristalina que forma o diamante.
Esse processo — vendido pelo laboratório especialmente para a família — foi descrito por Preta como algo “magnífico”. Ela acreditava que, dessa forma, sua presença poderia continuar sendo multiplicada entre aqueles que mais amava. As joias foram entregues como lembrança e homenagem, representando luz, força e continuidade, valores que marcaram a história da cantora.
A transformação das cinzas em diamantes se tornou, para seus familiares e amigos, mais do que o cumprimento de um desejo: tornou-se um gesto de eternização. Cada peça carrega o brilho simbólico da artista, um fragmento físico que remete ao seu legado e a tudo o que ela representou em vida. Assim, mesmo após sua partida, Preta segue presente — iluminando, inspirando e permanecendo, como um diamante que não se quebra.