Uma abordagem policial realizada na madrugada da última sexta-feira (3), no bairro Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, terminou de forma trágica e segue sendo investigada pelas autoridades. A ocorrência resultou na morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, atingida por um disparo no peito durante a ação. O caso ganhou ampla repercussão após a divulgação de imagens registradas por câmera corporal de um dos agentes envolvidos.
A investigação está sob responsabilidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), além de ser acompanhada pela Polícia Militar. Os dois policiais que participaram da abordagem foram afastados das atividades operacionais enquanto os fatos são apurados com mais profundidade. A situação levantou questionamentos sobre a conduta dos agentes e o uso da força durante a ocorrência.

Jovem policial e versão apresentada no depoimento
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A responsável pelo disparo foi identificada como a soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos. Ainda em fase de formação, ela atuava como estagiária da Polícia Militar após ter sido aprovada no concurso em novembro de 2024. Yasmin estava na etapa final do estágio supervisionado, que faz parte do processo de formação dos soldados, e realizava patrulhamento há cerca de três meses.
No momento da abordagem, a policial não utilizava câmera corporal, o que fez com que as imagens disponíveis fossem registradas apenas pelo equipamento do colega de equipe, o soldado Weden Silva Soares. Após o ocorrido, Yasmin foi afastada de suas funções e teve sua arma apreendida pelo DHPP. Além disso, ela passou a ser alvo de um Inquérito Policial Militar (IPM).
Em depoimento, a policial afirmou que decidiu intervir ao perceber uma discussão entre a vítima e o marido em via pública. Segundo sua versão, durante a abordagem, o homem teria sido contido por outros agentes, enquanto ela tentava dialogar com Thawanna. Ainda conforme relatado, a vítima teria desferido um tapa em seu rosto, o que, segundo Yasmin, levou à necessidade do uso da força para conter a situação.
Morte, repercussão e falas após o disparo
Thawanna da Silva Salmázio tinha 31 anos e era mãe de cinco filhos. No momento da ocorrência, ela caminhava ao lado do marido, Luciano Gonçalves dos Santos, quando a viatura policial passou pelo local. O caso gerou forte comoção, principalmente pela situação familiar da vítima e pelas circunstâncias da abordagem.
As imagens da câmera corporal revelaram momentos logo após o disparo que tirou a vida de Thawanna. Em um trecho, o soldado Weden aparece conversando com a colega e demonstra surpresa com a situação, chegando a questionar: “Você atirou nela?”. Em seguida, ao perceber o estado emocional da policial, ele tenta acalmá-la dizendo: “Relaxa, agora já foi”.
Outro momento que também chamou atenção foi o questionamento feito logo após o ocorrido, quando o colega, ainda impactado, teria perguntado: “por que você fez isso?” — uma fala que reforçou ainda mais a gravidade da situação e a tensão vivida no instante.
O caso segue em investigação, e as autoridades buscam esclarecer se houve excesso na ação policial ou falha na condução da abordagem. Enquanto isso, familiares da vítima pedem justiça, e o episódio reacende debates sobre preparo, responsabilidade e limites da atuação policial em situações de conflito.