As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, entraram na terceira semana sem qualquer pista concreta sobre o paradeiro das crianças. Os dois desapareceram após saírem para brincar no povoado São Sebastião dos Pretos, zona rural do município de Bacabal, no interior do Maranhão. Desde então, o caso mobiliza forças de segurança, autoridades locais e a comunidade, em uma operação marcada por incerteza, tensão e forte comoção social.
Com o passar dos dias, a investigação passou por ajustes estratégicos, ampliando áreas de busca e incorporando novos recursos técnicos. Apesar dos esforços contínuos, até o momento não há confirmação sobre o que teria acontecido com os irmãos, o que aprofunda a angústia da família e dos moradores da região.

Buscas entram em nova fase com foco no rio Mearim
Nesta etapa da operação, as equipes concentraram esforços no rio Mearim, um dos principais cursos d’água do Maranhão. A mudança de foco ocorreu após cães farejadores identificarem vestígios que indicariam a proximidade das crianças com o rio, segundo informações repassadas pelas autoridades.
Em entrevista ao Correio, o prefeito Roberto Costa (MDB) detalhou a estratégia adotada. Segundo ele, as áreas de mata já haviam sido varridas em duas oportunidades, sem resultados conclusivos. “Os cães encontraram os últimos vestígios, que os levaram ao rio. Por isso, a equipe da Marinha reforça esse trabalho nas águas”, afirmou.
A operação conta com apoio da Marinha do Brasil, que utiliza sonar, equipamento capaz de emitir ondas sonoras para localizar objetos ou possíveis vestígios em águas turvas. O rio Mearim possui cerca de 930 quilômetros de extensão, atravessa diversos municípios maranhenses e deságua na baía de São Marcos, o que amplia consideravelmente o desafio logístico das buscas.
Forças de segurança mantêm operação integrada no Maranhão
Além da Marinha, a força-tarefa envolve equipes da polícia, do Corpo de Bombeiros e do Exército Brasileiro, que atuam de forma integrada tanto nas áreas fluviais quanto em regiões de difícil acesso no entorno do povoado. A operação é considerada uma das maiores já realizadas na região em casos de desaparecimento infantil.
Mesmo sem pistas concretas, as autoridades afirmam que nenhuma linha de investigação foi descartada. O trabalho segue sendo feito de forma cautelosa, buscando evitar conclusões precipitadas enquanto todas as possibilidades são analisadas.
Moradores da região também têm colaborado com informações, ainda que nenhuma delas tenha levado a um avanço significativo até agora. A ausência de respostas após semanas de buscas intensifica a apreensão coletiva e reforça a dimensão humana da tragédia.
Primo encontrado recebe acompanhamento e passa por processo de readaptação
Paralelamente às buscas pelos irmãos, as autoridades iniciaram um trabalho específico de readaptação de Wanderson Kauã, de 8 anos, primo das crianças desaparecidas. Ele foi encontrado no dia 7 de janeiro e permanece internado, com previsão de alta para os próximos dias.
Segundo o prefeito Roberto Costa, uma força-tarefa composta por profissionais da segurança pública, assistência social e representantes do governo municipal está empenhada em garantir um retorno cuidadoso da criança ao convívio social. As equipes buscam, inclusive, uma nova residência para oferecer melhores condições de acolhimento.
“Nós orientamos a comunidade para o recebimento do Kauã, para que essa proteção seja feita e evitar perguntas ou situações que o abalem ainda mais”, explicou o prefeito. A preocupação central é preservar o bem-estar emocional do menino, evitando novos traumas em meio a um contexto já marcado pela dor e pela incerteza.
Enquanto isso, as buscas por Ágatha Isabelly e Allan Michael continuam sem prazo para serem encerradas. O caso permanece aberto e mobilizando esforços intensos, em meio à esperança de que qualquer nova informação possa finalmente esclarecer o destino das crianças e trazer respostas a uma comunidade que vive dias de profunda aflição.