As buscas pelas crianças desaparecidas no interior do Maranhão continuam mobilizando forças de segurança, voluntários e moradores, enquanto novos relatos informais passaram a circular entre pessoas envolvidas na procura. Segundo esses voluntários, a associação do caso à “magia negra” surge porque a região é historicamente conhecida, no imaginário popular, como “terra da magia negra” — uma percepção cultural antiga, sem comprovação oficial, que voltou a ganhar força diante da falta de respostas concretas.
As autoridades reforçam que não há confirmação dessa hipótese e pedem cautela para evitar conclusões precipitadas.

Desaparecimento mantém clima de apreensão na região
O caso ocorreu na zona rural de Bacabal, em área de mata densa e de difícil acesso. Três crianças desapareceram após saírem para brincar; dias depois, uma delas foi encontrada com vida, debilitada, o que intensificou a angústia em torno do paradeiro das outras duas.
Desde então, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, da Polícia Militar do Maranhão e da Polícia Civil do Maranhão atuam de forma integrada, com apoio de quilombolas, moradores e voluntários. As buscas cobrem trilhas, açudes, áreas alagadas e trechos próximos a rios, o que torna o trabalho lento e exaustivo.
“Terra da magia negra”: crença popular volta ao debate
Entre os voluntários, a suspeita informal ganhou espaço porque o Maranhão, em especial o interior, é frequentemente associado a práticas religiosas tradicionais e afro-brasileiras no discurso popular. Essa reputação cultural — muitas vezes estigmatizada — levou alguns participantes das buscas a relacionarem o desaparecimento a rituais, sem qualquer evidência material.
Especialistas alertam que esse tipo de associação não deve ser tratada como fato, pois pode reforçar preconceitos e desviar o foco da investigação técnica. Ainda assim, o surgimento do boato revela o nível de desespero e a ausência de respostas objetivas até o momento, fatores que alimentam interpretações baseadas no medo.
Autoridades pedem cautela e foco nas provas
A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão reiterou que todas as linhas de investigação seguem abertas, mas apenas hipóteses sustentadas por provas são consideradas. O trabalho continua com drones, cães farejadores, mergulhadores e divisão da área por quadrantes, além da coleta de depoimentos formais.
A pasta reforça que especulações sobre magia negra não constam nos inquéritos e podem atrapalhar o andamento das apurações. Enquanto isso, as famílias aguardam respostas e pedem a continuidade das buscas até que todas as possibilidades sejam esgotadas.
O caso segue como um dos mais sensíveis do estado, marcado por incerteza, comoção e boatos — e pela necessidade de separar crenças culturais de fatos comprovados para que a verdade venha à tona.
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