Este Detalhe ao Lado do Caixão das Vítimas do Tornado no Paraná Assust…Ver mais

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O município de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, viveu um domingo (9) de profunda emoção e tristeza. Após o devastador tornado que atingiu a região na noite de sexta-feira, os moradores se reuniram em um velório coletivo para se despedir das cinco vítimas fatais do fenômeno climático que destruiu casas, escolas e comércios, deixando um rastro de desolação e centenas de feridos.

A cerimônia ocorreu em um salão paroquial — um dos poucos prédios que resistiu à ventania — e reuniu familiares, amigos e voluntários em meio a orações, lágrimas e abraços. As rajadas de vento ultrapassaram os 250 km/h, transformando o cenário da cidade em escombros. Diante da dor, o velório coletivo foi também um símbolo de união e esperança para os que sobreviveram.

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Despedida marcada pela emoção e lembranças

Quatro das vítimas foram veladas juntas: José Gieteski, de 83 anos; Claudino Paulino Risse, de 57; Jurandir Nogueira Ferreira, de 49; e a adolescente Julia Kwapis, de apenas 14 anos. A quinta vítima, Adriana Maria de Moura, de 47, foi enterrada em outro município, enquanto José Neri Geremias, de 53 anos, natural de Guarapuava, também perdeu a vida durante o tornado.

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Durante a cerimônia, o pai de Julia, Roberto Kwapis, fez um depoimento comovente ao recordar o amor e a alegria da filha. “Fico com a certeza do amor que tinha por ela”, declarou, emocionado. Julia estava na casa de uma amiga quando o tornado atingiu o município. A amiga sobreviveu, mas ambas foram lançadas pela força do vento, num episódio que ilustra o terror vivido pelos moradores na noite da tragédia.

Enquanto os caixões eram cobertos por flores, cânticos religiosos ecoavam pelo salão, misturando dor e fé. Moradores se abraçavam em silêncio, tentando encontrar consolo no apoio mútuo. “Foi uma despedida coletiva, mas também um ato de resistência diante da dor”, relatou uma moradora.

Governo anuncia reconstrução e apoio às famílias

Diante do cenário de destruição, o governador Carlos Massa Ratinho Junior esteve no município neste domingo e anunciou o início do plano de reconstrução da cidade. Entre as prioridades estão a recuperação das casas destruídas, das escolas e da sede da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), também danificadas pela ventania.

Cerca de 200 engenheiros da Cohapar e do CREA-PR já estão na cidade avaliando os danos estruturais. O governo pretende enviar um projeto de lei à Assembleia Legislativa ampliando o Fundo de Calamidade Pública, com previsão de repasse de até R$ 50 mil por família para a compra de materiais de construção.

“Muitas casas não podem ser reerguidas porque o vento levou tudo, mas em algumas ainda é possível reconstruir com esse apoio”, afirmou o governador, garantindo que a lei deve ser sancionada ainda neste domingo.

A Defesa Civil fará o cadastramento das famílias atingidas, enquanto equipes técnicas identificarão quais residências poderão ser reformadas ou precisarão ser totalmente reconstruídas. Mais de 780 pessoas receberam atendimento médico desde o desastre.

Entre os sobreviventes, histórias de susto e alívio se misturam. O morador José Godoy, de 41 anos, relatou que sua esposa, grávida de quatro meses, estava sozinha quando o tornado começou. “Ela ficou apavorada, tentou se proteger como pôde. Eu só agradeço a Deus por tê-la encontrado com vida”, disse, emocionado.

Em meio à destruição e à dor, Rio Bonito do Iguaçu tenta se reerguer, guiado pela fé, pela solidariedade e pela esperança de que dias melhores virão.

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