Brasil, 2025 — A investigação sobre a agressão sofrida por uma jovem de 18 anos no centro de Curitiba segue avançando e ganhou novos desdobramentos. A Polícia Civil do Paraná recolhe e analisa imagens de câmeras de segurança para reconstruir a dinâmica completa do episódio ocorrido na última quarta-feira, que deixou a estudante traumatizada e afastada de sua rotina. O caso, inicialmente registrado como lesão corporal, pode ser reclassificado após a conclusão do exame de corpo de delito e de novas diligências.
Segundo o advogado da jovem, Eduardo Holdorf, tudo começou quando ela caminhava em direção a uma cafeteria e foi interpelada por uma mulher desconhecida. A agressora perguntou de forma abrupta se a estudante trabalhava em uma fábrica de sutiãs. Ao ouvir que não, iniciou uma série de xingamentos, chamando-a de “sem vergonha”, antes de desferir um soco em seu rosto.

Assustada, a vítima tentou correr para o outro lado da rua e buscou abrigo em uma galeria. A agressora, porém, conseguiu entrar no local e retomou as investidas, agora com mais violência. Conforme relatado pelo advogado, ela teria dado golpes contundentes na cabeça da estudante, a derrubado no chão e puxado seus cabelos repetidamente. Durante toda a ação, repetia ameaças de morte e dizia que contaria com a ajuda do marido para “terminar o serviço” do lado de fora.
A jovem, que até então vivia uma rotina normal de estudos, encontra-se agora emocionalmente abalada e com medo de sair de casa. A violência sofrida afetou seu bem-estar e sua capacidade de frequentar aulas, segundo Holdorf. O boletim de ocorrência foi inicialmente registrado pela Polícia Militar como lesão corporal, mas a defesa busca o reconhecimento de tentativa de homicídio, alegando que as ameaças e a forma como as agressões ocorreram configuram risco real à vida.
Com a coleta das imagens de segurança, a polícia pretende identificar se há outros envolvidos no ataque e estabelecer com precisão os movimentos das agressoras, fortalecendo a linha investigativa que, para a defesa, pode apontar para tentativa de feminicídio motivada por menosprezo à condição de mulher.
Defesa quer que o caso seja tratado como tentativa de feminicídio
Para o advogado, a gravidade dos fatos exige um enquadramento jurídico mais rigoroso. Ele afirma que a agressora deixou claro, repetidas vezes, que mataria a jovem — o que, somado à motivação discriminatória e aos múltiplos golpes, configura uma tentativa de feminicídio.
A expectativa é que o laudo do exame de corpo de delito seja concluído até a próxima semana. Com base no documento e nas gravações, a defesa irá protocolar uma notícia-crime pedindo a reclassificação do caso. Caso a autoridade policial não acolha o pedido, a estratégia será recorrer ao Ministério Público do Paraná.
A Polícia Civil informou que a vítima passará por nova oitiva e que todas as imagens disponíveis estão sendo analisadas, reforçando que as investigações seguem em andamento. O objetivo é esclarecer possíveis participações de terceiros e detalhar a sequência cronológica da violência.
Repercussão política e debate sobre violência e moralidade
O caso também repercutiu no cenário político paranaense. O deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) manifestou-se nas redes sociais, criticando o clima de intolerância que, segundo ele, tem sido alimentado por discursos moralistas e por desinformação. Para o parlamentar, episódios como esse revelam um ambiente social cada vez mais propenso à violência e ao julgamento precipitado.
Enquanto isso, familiares, amigos e a equipe jurídica da estudante aguardam que a investigação avance com celeridade, na expectativa de que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados. A jovem segue sob acompanhamento e tenta, aos poucos, lidar com o trauma deixado pelo ataque.