Tarcísio de Freitas é Atacado Após Não Visitar Bolsonaro Na Pri…Ver mais

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O anúncio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de que visitará o ex-presidente Jair Bolsonaro na próxima semana foi interpretado por aliados como o desfecho de uma sequência de atritos internos que expôs tensões dentro do campo bolsonarista. Nos bastidores, o gesto é visto como uma tentativa de reafirmar lealdade, mas sem abrir mão de mostrar voz própria diante do clã Bolsonaro, especialmente do senador Flávio Bolsonaro.

Cancelamento de visita gerou desgaste e críticas internas

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A crise ganhou força após Tarcísio cancelar uma visita que estava prevista para a quinta-feira (22). O governador alegou compromissos em São Paulo, mas, na agenda oficial, constava apenas o item “despachos internos”. No mesmo dia, à tarde, ele promoveu mudanças no secretariado estadual, com troca no comando da Casa Civil, o que alimentou críticas entre apoiadores mais fiéis de Bolsonaro.

Aliados do governador afirmam que o cancelamento foi deliberado e teve como objetivo impor limites à atuação política dos filhos do ex-presidente. Segundo um auxiliar próximo, Tarcísio vinha acumulando desgastes com Flávio e atribuindo a pessoas ligadas ao senador a disseminação de boatos sobre uma suposta candidatura presidencial do governador — hipótese que ele nega publicamente — e até rumores de que estaria planejando deixar a política.

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Durante o dia, enquanto parte dos bolsonaristas atacava o governador nas redes sociais, outro grupo trabalhou para conter o desgaste. Um dos que saíram em defesa de Tarcísio foi Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica de Bolsonaro, que publicou mensagem ressaltando a lealdade do governador ao projeto político do ex-presidente.

Reação a Flávio e tentativa de evitar constrangimento

Como revelou a imprensa, Tarcísio teria se irritado com declarações de Flávio Bolsonaro de que a visita serviria para o governador ouvir que sua eventual candidatura presidencial estaria “descartada”. O senador lançou seu nome ao Planalto em dezembro, com apoio explícito do pai, e passou a agir como candidato natural da direita.

Para aliados de Tarcísio, adiar o encontro foi uma forma de evitar constrangimentos públicos e não aceitar pressões para declarar apoio antecipado a Flávio. O encontro foi remarcado para a próxima quinta-feira (29), e o governador publicou mensagem dizendo-se “grato e leal” a Jair Bolsonaro, sinalizando que não pretende romper com o ex-presidente.

Ainda assim, entre apoiadores mais radicais, a decisão de passar o dia no Palácio dos Bandeirantes em vez de visitar Bolsonaro foi interpretada como afronta, explicitando uma tensão que já vinha latente entre o governador e o núcleo familiar do ex-presidente.

Disputa na direita se intensifica

Nos bastidores, ganhou força a leitura de que Tarcísio, apesar das negativas públicas, estaria se preparando para disputar o Palácio do Planalto, e não apenas a reeleição em São Paulo. Interlocutores do governador rechaçam essa versão e garantem que não há qualquer movimento concreto para viabilizar uma candidatura presidencial.

Um aliado próximo revelou que Tarcísio conversou por telefone com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na noite de quarta-feira (21), explicando que o adiamento se deu por questões de agenda. A conversa teria ajudado a reduzir o clima de tensão.

Enquanto isso, deputados bolsonaristas receberam orientação para conter críticas ao governador, em uma tentativa de preservar a unidade do campo da direita. Mesmo assim, a disputa interna se acirrou nos últimos dias entre defensores de Flávio e aqueles que veem em Tarcísio o nome mais competitivo para 2026.

O episódio envolvendo a transferência de Bolsonaro para a Papuda e as articulações em torno de uma possível prisão domiciliar também impulsionaram, segundo aliados, uma dobradinha informal entre Tarcísio e Michelle Bolsonaro, o que teria desagradado parte dos filhos do ex-presidente.

Em vídeo publicado na quarta-feira (21), o deputado cassado Eduardo Bolsonaro falou em tentativa de enfraquecer a candidatura do irmão e acusou adversários internos de agir nos bastidores para derrubar Flávio. O discurso evidencia que, apesar dos apelos por união, a disputa pela liderança da direita brasileira segue aberta e cada vez mais exposta.

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