Homem Morre Ao Ser Atacado por Tigre Em Sua Jau…Ver mais
A morte de Ryan Easley, cuidador e treinador de grandes felinos, gerou ampla repercussão nos Estados Unidos e reabriu um debate sensível sobre a exposição de animais selvagens em apresentações públicas. O profissional, conhecido por sua longa atuação em projetos de conservação, perdeu a vida no sábado (20) após ser atacado por um tigre no Growler Pines Tiger Preserve, santuário localizado em Hugo, Oklahoma.
A administração do local confirmou a fatalidade em comunicado, descrevendo o episódio como um acidente envolvendo um animal sob seus cuidados. A nota destacou que Easley compreendia os riscos inerentes ao trabalho, mas seguia dedicado por “amor, e não por imprudência”, ressaltando seu compromisso de décadas com a proteção de espécies ameaçadas.

Trajetória de dedicação e circunstâncias do ataque
O santuário Growler Pines foi criado quando o ShowMe Tigers — espetáculo itinerante liderado por Easley — passou a priorizar ações permanentes de conservação, dando origem a uma instalação fixa onde visitantes pudessem aprender sobre a realidade de felinos aposentados de circos.
O local também funcionava como espaço de manejo, reabilitação e conscientização, ampliando a atuação de Easley para além dos palcos. Segundo informações disponíveis no site da instituição, o treinador dedicou a maior parte da vida adulta ao cuidado de tigres e outros grandes felinos, sendo reconhecido por sua habilidade de manejo e pelo relacionamento próximo com os animais.
O ataque aconteceu durante uma apresentação educativa realizada no próprio santuário. A emissora KXII, afiliada da CNN, informou que o cuidador foi encontrado sem respirar quando autoridades chegaram ao recinto, e apesar das tentativas de socorro, não resistiu aos ferimentos. A investigação policial deverá esclarecer a sequência exata do incidente, mas a informação preliminar é de que o ataque ocorreu de maneira rápida e inesperada. A tragédia provocou forte comoção entre funcionários, visitantes e apoiadores da causa da conservação, que destacaram a relação de confiança que Easley mantinha com os animais que cuidava diariamente.
Reações de organizações e impacto público
A morte de Easley reacendeu críticas de grupos de proteção animal sobre o uso de grandes felinos em apresentações, mesmo quando vinculadas a propostas educativas. A Humane World for Animals, anteriormente conhecida como Humane Society of the United States, afirmou que o episódio foi “uma tragédia evitável”, mencionando que um investigador do grupo acompanhou por semanas a rotina do ShowMe Tigers e observou animais sendo pressionados a realizar truques em diferentes ocasiões. A organização reforçou que a natureza imprevisível de felinos adultos exige ambientes altamente controlados, e que qualquer forma de espetáculo aumenta os riscos tanto para treinadores quanto para os próprios animais.
A PETA também se manifestou, destacando que muitos dos tigres utilizados por Easley foram adquiridos de dois nomes amplamente conhecidos por controvérsias envolvendo manejo de animais: Joseph Maldonado, o “Joe Exotic”, e Bhagavan “Doc” Antle, ambos participantes da série Tiger King, da Netflix. Segundo a entidade, os felinos do ShowMe Tigers eram alojados no zoológico de Joe Exotic durante o inverno, quando não estavam em turnê. Após a repercussão da morte, Joe Exotic publicou mensagens expressando condolências e afirmando que Easley “amava cada um daqueles tigres”, mas as publicações foram deletadas posteriormente.
A tragédia reacende discussões sobre segurança, regulamentação e os limites éticos da relação entre humanos e animais selvagens, apontando para a necessidade de revisar práticas que, mesmo sob o discurso da conservação, continuam envolvendo riscos significativos para todos os envolvidos.