A morte de um familiar já representa uma dor profunda. Quando o desfecho vem cercado de incertezas e detalhes inesperados, o sofrimento costuma ser ainda maior. Foi esse o sentimento vivido pela família de Emília Anzolin, de 72 anos, encontrada morta após quase duas semanas de buscas no interior do Paraná.
O caso mobilizou equipes especializadas, voluntários e autoridades locais, chamando atenção principalmente pela curta distância entre o local onde o corpo foi encontrado e a residência da idosa.

Corpo foi encontrado a poucos metros da casa
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Emília Anzolin foi localizada sem vida nesta terça-feira, dia 27 de janeiro, em uma área rural do município de Mallet, na região central do estado. O corpo estava a aproximadamente 350 metros da própria casa, situada na localidade de Colônia Dulcio, onde ela morava.
A idosa estava desaparecida desde a madrugada do dia 15 de janeiro. Desde então, familiares acionaram as autoridades e acompanharam de perto uma intensa operação de busca, na esperança de encontrá-la com vida.
A proximidade do local onde Emília foi encontrada com a residência causou perplexidade entre familiares e equipes envolvidas, já que a região havia sido alvo de varreduras ao longo dos dias.
Buscas duraram 13 dias e percorreram mais de 800 km
Durante 13 dias, o Corpo de Bombeiros do Paraná conduziu uma operação de grande porte. As ações envolveram bombeiros especializados, uso de drones, cães de busca, equipes terrestres e apoio aéreo, considerando o relevo irregular e a vegetação fechada da região.
Segundo os bombeiros, mais de 800 quilômetros foram percorridos em estradas vicinais, trilhas, áreas de mata e extensas lavouras. As buscas também incluíram sobrevoos constantes para tentar localizar qualquer sinal da idosa.
O corpo de Emília acabou sendo avistado de forma inesperada, durante uma pulverização agrícola em uma lavoura de soja. O acesso até o ponto exato foi considerado difícil, justamente por causa da mata densa e das condições do terreno.
Doença e desorientação podem ter influenciado o trajeto
Outro aspecto que chamou a atenção das equipes foi a direção em que Emília se encontrava, diferente dos caminhos que costumava percorrer no cotidiano. De acordo com familiares, a idosa tinha diagnóstico de Alzheimer, doença que pode provocar desorientação, confusão mental e perda da noção espacial.
Esse não foi o primeiro desaparecimento da idosa. No ano anterior, Emília já havia sido localizada após se perder, quando foi encontrada a cerca de dois quilômetros de casa, também em meio a uma plantação. Esse histórico foi considerado no planejamento das buscas atuais, que inicialmente priorizaram áreas semelhantes.
As circunstâncias da morte ainda devem ser esclarecidas, mas não há indícios de violência até o momento. O caso reforça os desafios enfrentados por famílias que convivem com doenças neurodegenerativas e a importância de medidas de cuidado e monitoramento constantes para evitar novas tragédias.