Uma ocorrência de extrema violência registrada em São Tomé das Letras, no interior de Minas Gerais, provocou forte comoção e levantou debates urgentes sobre a proteção de mulheres em relacionamentos abusivos. A vítima, uma jovem professora de 25 anos, luta pela vida após sofrer queimaduras gravíssimas durante um ataque ocorrido na tarde da última sexta-feira (5), no distrito de Sobradinho.
Identificada como Luana Leal Silva Rocha, ela teve cerca de 60% do corpo atingido por fogo e permanece internada em estado crítico. A gravidade do caso, somada às circunstâncias que cercam o crime, chocou familiares, colegas e moradores do município, que agora se mobilizam em apoio à educação e buscam respostas das autoridades.
As investigações iniciais apontam que o agressor seria o namorado da vítima, que teria jogado gasolina sobre a jovem antes de atear fogo. O suspeito fugiu logo após o ataque e ainda não foi localizado.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de tentativa de feminicídio e segue reunindo elementos para esclarecer cada detalhe da agressão. Enquanto isso, a cidade se vê diante de mais um episódio que reforça a necessidade urgente de enfrentamento à violência doméstica e de mecanismos eficazes de proteção.

Atendimento emergencial e luta pela sobrevivência da jovem professora
Logo após o ataque, Luana foi socorrida às pressas e conduzida ao Hospital São Sebastião, em Três Corações, onde permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva. O quadro clínico é descrito pelos profissionais como extremamente grave, devido à extensão e profundidade das queimaduras. Pacientes nessa condição enfrentam alto risco de infecção, desidratação e falência de órgãos, exigindo cuidados intensivos e monitoramento contínuo das funções vitais.
A equipe médica segue empenhada na estabilização da paciente, utilizando protocolos específicos para queimaduras severas, que incluem hidratação agressiva, controle de infecções e procedimentos cirúrgicos destinados à recuperação da pele.
Cada hora é decisiva na evolução do tratamento, e o prognóstico dependerá da resposta do organismo aos cuidados intensivos. A mobilização de familiares e colegas de trabalho tem sido fundamental para garantir suporte emocional e estrutural durante a internação.
A jovem é descrita pela comunidade escolar como uma professora atenciosa, dedicada e muito querida pelos alunos. Sua atuação no ensino infantil marcou positivamente a rotina das crianças e conquistou a admiração de outros profissionais da educação. A notícia do ataque abalou profundamente colegas e moradores do distrito de Sobradinho, que passaram a acompanhar de perto atualizações sobre seu estado de saúde.
Investigações avançam e reforçam alerta sobre violência doméstica
A Polícia Civil continua as diligências para identificar o paradeiro do suspeito e reunir provas que sustentem a investigação. Depoimentos de familiares, vizinhos e possíveis testemunhas estão sendo coletados para reconstruir a dinâmica da agressão e entender se havia histórico de violência no relacionamento. Câmeras de segurança da região também devem auxiliar na análise dos deslocamentos antes e depois do ataque.
O caso reforça um alerta recorrente em Minas Gerais e em todo o país: a necessidade de combater, com mais eficiência, crimes cometidos contra mulheres dentro de relações afetivas. Situações de agressão física, ameaças e comportamentos controladores muitas vezes antecedem ataques mais graves, o que evidencia a importância de canais de denúncia acessíveis e suporte imediato às vítimas.
A repercussão da violência sofrida por Luana evidencia o impacto social desse tipo de crime e trouxe à tona discussões sobre políticas públicas de prevenção, acolhimento e conscientização.
Enquanto a investigação avança, a comunidade de São Tomé das Letras permanece em vigília, unida pela esperança de recuperação da professora e pela cobrança por justiça. O episódio, que interrompeu de forma abrupta a rotina da cidade, agora serve como um lembrete doloroso da urgência em fortalecer mecanismos de proteção e interromper ciclos de violência que, infelizmente, seguem vitimando mulheres em diferentes regiões do país.