Jovem Tira Sua Vida Após Ser Demitido Do Traba…Ver mais

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O caso de Luiz Felipe Dominicalli, jovem trabalhador terceirizado do Mercado Livre, tem causado comoção nacional e reacendido o debate sobre as condições de trabalho em grandes empresas de logística.

Luiz era funcionário de uma agência terceirizada que prestava serviços à companhia e atuava no centro de distribuição de Cajamar, em São Paulo. Dedicado e conhecido por sua responsabilidade, ele sonhava em ser efetivado pela empresa. No entanto, após ser demitido no dia 19, Luiz tirou a própria vida minutos depois, dentro do local de trabalho.

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De acordo com relatos de colegas, o corpo do jovem foi coberto com uma lona, e o local onde o incidente ocorreu foi isolado. Mesmo assim, os funcionários foram orientados a continuar o expediente normalmente, utilizando a saída de emergência para evitar passar pelo corpo do colega. A decisão gerou profunda indignação entre os trabalhadores, que afirmam terem sido obrigados a seguir as metas e tarefas como se nada tivesse acontecido.

Sindicato manda recado

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O Sindicato dos Empregados do Comércio de Franco da Rocha e Região se pronunciou sobre o caso e afirmou que Luiz “vinha sofrendo forte pressão psicológica por parte de seus superiores”. Já o Mercado Livre declarou que o trabalhador foi atendido por uma equipe médica e faleceu fora das dependências da empresa, o que é contestado por vários testemunhos. A divergência nas versões reforça as críticas sobre a forma como a empresa tem lidado com a saúde mental dos seus colaboradores.

Uma reportagem publicada pelo Intercept Brasil revelou que centenas de trabalhadores denunciaram condições de trabalho consideradas abusivas e desumanas nos centros de distribuição do Mercado Livre. Entre as principais queixas estão as metas inalcançáveis, o assédio moral, o calor extremo e o ritmo exaustivo das atividades. Segundo depoimentos, cada funcionário precisa processar cerca de 120 pacotes por hora, o equivalente a duas entregas por minuto, sob constante cobrança de supervisores.

Essas denúncias se somam ao crescimento alarmante de casos de depressão e ansiedade entre jovens trabalhadores brasileiros. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é uma das doenças mais prevalentes do mundo e tem avançado especialmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade social. A precarização das relações de trabalho, o desemprego, a pressão por produtividade e a falta de apoio psicológico são fatores diretamente ligados a esse aumento.

A morte de Luiz Felipe escancara a face mais cruel de um sistema que prioriza lucros e metas acima da dignidade humana. Jovens como ele, que depositam esperança no trabalho e buscam reconhecimento, acabam sendo esmagados por um modelo que cobra resultados sem oferecer suporte emocional.

O caso deve servir de alerta não apenas para as autoridades, mas também para toda a sociedade. É urgente repensar as estruturas que colocam a vida dos trabalhadores em segundo plano e promover ambientes corporativos mais humanos e responsáveis.

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