Leo Dias Posta Vídeo Esclarecedor e Reviravolta no Caso Orelha Acaba De…Ver mais
O caso envolvendo os cães Orelha e Caramelo, vítimas de maus-tratos e morte brutal na Praia Brava, em Florianópolis, teve um novo e decisivo desdobramento. Em meio à comoção popular, acusações nas redes sociais e investigações em andamento, a família de um adolescente de 15 anos conseguiu comprovar que o jovem não estava na cidade no período apontado, o que levou a Polícia Civil a retirá-lo da lista de suspeitos e mantê-lo apenas como testemunha.
A mudança representa uma reviravolta importante em um inquérito marcado por forte pressão pública e pela circulação de informações desencontradas na internet.

Família apresenta provas e afirma que jovem deixou a cidade antes dos fatos
Segundo relato do pai do adolescente, identificado como Pedro para fins jornalísticos, a família deixou a Praia Brava no dia 5 de janeiro, por volta das 10h da manhã, encerrando as férias e retornando para casa. A informação contraria diretamente comentários que passaram a circular nas redes, associando o nome do jovem a um suposto episódio de “quebra-quebra” em um quiosque ocorrido no dia 10 de janeiro de 2026.
De acordo com o pai, esse episódio foi determinante para que o nome do filho começasse a ser citado de forma equivocada. “O Pedro foi citado como se tivesse participado de um quebra-quebra no dia 10 de janeiro, mas nós já não estávamos mais na Praia Brava. Saímos no dia 5 e não voltamos”, afirmou.
Ele também destacou que as imagens analisadas pela polícia reforçam a versão apresentada pela família. Segundo o relato, nenhum dos adolescentes que aparecem nos registros corresponde ao filho. “Não tem um vídeo, não tem nada que vincule o Pedro a qualquer ato de violência ou maus-tratos”, afirmou, reforçando que a associação feita nas redes sociais não encontra respaldo nos elementos técnicos do inquérito.
Polícia muda status: de investigado para testemunha
Após a checagem das informações apresentadas e a análise de imagens e dados de deslocamento, a Polícia Civil decidiu alterar o status do adolescente no inquérito, retirando-o da condição de investigado e mantendo-o apenas como testemunha. A decisão foi tomada após a constatação de que não havia elementos que comprovassem a presença do jovem na cidade nas datas associadas aos atos de violência.
O pai fez questão de esclarecer que a mudança gerou confusão nas redes sociais, onde surgiram acusações de que o adolescente teria presenciado o crime e se omitido. Segundo ele, essa interpretação é incorreta. Ser mantido como testemunha significa apenas que o jovem pode contribuir com informações gerais sobre o contexto, e não que tenha presenciado ou participado dos maus-tratos.
Investigadores explicam que esse tipo de ajuste é comum em inquéritos complexos, especialmente quando diversos nomes passam a circular sem comprovação. A polícia reforça que o enquadramento técnico de cada pessoa envolvida depende exclusivamente de provas concretas, e não da pressão popular ou da repercussão digital.
Caso expõe riscos de acusações precipitadas nas redes sociais
A reviravolta envolvendo o adolescente evidencia um dos principais desafios do caso Orelha e Caramelo: o julgamento público antes da conclusão das investigações. Desde que o crime veio à tona, nomes de adolescentes passaram a ser apontados nas redes sociais, muitas vezes sem confirmação oficial, o que gerou desgaste emocional às famílias envolvidas.
Enquanto isso, o inquérito segue avançando em outras frentes. A Polícia Civil já indiciou adultos por coação de testemunha após a divulgação de imagens que mostram um porteiro sendo intimidado, e continua apurando responsabilidades diretas pela morte dos animais.
Autoridades alertam que a disseminação de acusações sem prova pode atrapalhar a apuração, gerar injustiças e até incentivar reações perigosas, como discursos de vingança e justiça pelas próprias mãos. Por isso, reforçam que apenas o trabalho técnico da polícia e da Justiça pode definir culpados ou inocentes.
O caso dos cães Orelha e Caramelo segue em investigação, com novas diligências previstas. Enquanto a sociedade cobra respostas, a polícia destaca a importância de separar comoção de evidência, garantindo que cada decisão seja baseada em fatos comprovados e não em narrativas virais.