As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde o dia 4 de janeiro, em Bacabal, completaram duas semanas neste domingo (18) sem respostas concretas. Diante da falta de pistas conclusivas, a mãe das crianças passou a considerar a possibilidade de que os filhos tenham sido vendidos, hipótese que aumenta ainda mais a angústia da família e da comunidade local.
A operação de busca segue mobilizando mais de 1 mil pessoas, entre bombeiros do Maranhão, Pará e Ceará, Exército, Marinha, voluntários e equipes com cães farejadores. Apesar do esforço intenso, até o momento Ágatha e Allan não foram localizados.

Desaparecimento e contradições aumentam desespero da família
Segundo familiares, o tio das crianças, José Henrique Cardoso Reis, afirmou ter visto os três primos — Ágatha, Allan e Anderson Kauã, de 8 anos — juntos por volta das 13h30 do dia do desaparecimento, orientando-os a retornar para casa. Por volta das 16h, a avó chamou pelas crianças, mas ninguém respondeu.
Inicialmente, a família acreditou que os menores estivessem em casas vizinhas, algo comum na comunidade, que possui cerca de 250 moradores. No entanto, com o passar das horas, a ausência prolongada levantou suspeitas e levou os próprios moradores a iniciarem buscas na mata.
Com o avanço dos dias e a falta de vestígios claros, a mãe passou a manifestar o temor de que os filhos não tenham se perdido, mas sim sido retirados do local por terceiros, levantando a hipótese de tráfico ou venda de crianças — possibilidade que, até o momento, não foi confirmada pelas autoridades, mas segue como um dos cenários considerados pela família.
Primo foi encontrado com vida após três dias
Três dias após o desaparecimento, Anderson Kauã foi encontrado por um carroceiro que colhia palha. O menino estava sem roupas, debilitado e havia perdido cerca de dez quilos. Ele foi encaminhado imediatamente para atendimento médico.
À Polícia Civil, Anderson relatou que tentou ir até um pé de maracujá, mas teria sido orientado a voltar. Para não ser visto, entrou na mata por outro caminho e acabou se perdendo dos primos. Segundo as autoridades, não há indícios de violência sexual contra a criança.
O depoimento do menino trouxe algum alívio inicial, mas também levantou novas dúvidas, já que Ágatha e Allan não foram encontrados na mesma região onde ele apareceu.
Indícios apontam casa abandonada e buscas no rio
Cães farejadores indicaram que os irmãos teriam passado por uma casa abandonada próxima ao rio Mearim. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão e teria sido mencionada por Anderson após ser localizado.
O secretário Maurício Martins informou que o menino relatou ter deixado os primos nessa casa durante uma das noites e saído em busca de ajuda. Pouco tempo depois, ele acabou sendo encontrado.