A tragédia que abalou a cidade de Itumbiara, no sul de Goiás, continua gerando forte repercussão e desdobramentos dolorosos. O secretário municipal de Governo, Thales Machado, deixou uma carta de despedida antes de atirar contra os próprios filhos e tirar a própria vida dentro do condomínio onde a família morava. O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Goiás e é tratado como homicídio consumado e homicídio tentado, seguidos de autoextermínio por parte do autor.
Thales era genro do prefeito Dione Araújo. No documento deixado à família, ele escreveu que sempre buscou manter “a melhor harmonia e respeito possível”. Em um dos trechos mais impactantes, afirmou: “Partimos eu e meus meninos, que agora são anjos que, infelizmente, vieram comigo. Nunca pensei nisso, foi hoje. Todos sabem como sou intenso e verdadeiro e não iria conseguir viver mais com essas lembranças”. Ao final, pediu perdão e declarou que não imaginava cometer o ato criminoso.

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Horas antes da tragédia, Thales havia publicado uma mensagem nas redes sociais declarando amor aos filhos. “Que Deus abençoe sempre meus filhos. Papai ama muito”, escreveu na noite de quarta-feira (11/2). A publicação, que inicialmente passou despercebida, ganhou outro significado após a confirmação do crime.
Mãe das crianças é alvo de ataques virtuais
Além do luto devastador, a família enfrenta agora uma nova dor: os ataques nas redes sociais. A mãe das crianças passou a ser alvo de xingamentos, acusações e comentários ofensivos feitos por perfis anônimos. Sem qualquer confirmação oficial sobre motivações ou circunstâncias adicionais, internautas têm espalhado especulações que ampliam o sofrimento de quem já enfrenta uma perda irreparável.
Pessoas próximas relatam que o momento exige respeito e empatia. Amigos da família afirmam que os comentários cruéis têm causado indignação e revolta, especialmente porque não há qualquer elemento nas investigações que justifique apontamentos contra a mãe das crianças.
A Polícia Civil informou que, até o momento, não existem indícios de participação de terceiros. O inquérito foi aberto para esclarecer todos os detalhes do caso, mas as autoridades reforçam que o episódio é tratado, preliminarmente, como um ato isolado praticado pelo próprio secretário.
Inicialmente, a comunicação oficial informou que os dois filhos haviam morrido, mas a informação foi corrigida. Miguel Araújo Machado, de 12 anos, não resistiu. Já Benício Araújo Machado, de 8 anos, segue internado em estado gravíssimo, lutando pela vida.
A cidade de Itumbiara permanece em choque. O silêncio no condomínio onde tudo aconteceu contrasta com a intensidade das discussões nas redes sociais. Enquanto a investigação avança, familiares pedem responsabilidade na divulgação de informações e respeito à memória das vítimas.
O episódio escancara não apenas a dor de uma família, mas também os efeitos devastadores da exposição e do julgamento precipitado em tempos de redes sociais. Em meio à tragédia, o apelo é por humanidade diante de uma situação que já é, por si só, profundamente devastadora.