A família de Kaliny Eduarda Miranda Tavares, de 12 anos, acusa falhas graves no atendimento médico após a adolescente enfrentar mais de dez dias de dores intensas no abdômen, acompanhadas de vômitos e diarreia persistentes, até ter o apêndice rompido. O quadro evoluiu para infecção generalizada, e a menina segue internada em estado grave na UTI de um hospital infantil em Joinville.
O caso, ocorrido no Norte de Santa Catarina, gerou forte comoção e levantou questionamentos sobre a condução clínica adotada nas primeiras buscas por atendimento médico, especialmente diante da persistência e do agravamento dos sintomas.

Sintomas persistiram por dias sem diagnóstico conclusivo
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Segundo a mãe, Viviane, os primeiros sinais surgiram em meados de dezembro, quando Kaliny começou a relatar dores abdominais fortes, além de episódios frequentes de vômitos e diarreia. A família procurou inicialmente a UPA de Canoinhas, onde a adolescente foi avaliada e, posteriormente, encaminhada ao Hospital Santa Cruz.
No hospital, Kaliny permaneceu internada por cerca de três dias. Apesar das queixas constantes, exames e avaliações médicas teriam descartado, naquele momento, um quadro grave. Sem um diagnóstico conclusivo, a adolescente recebeu alta hospitalar, mesmo com a continuidade das dores.
A mãe relata que, após o retorno para casa, os sintomas não cessaram. Pelo contrário, a dor abdominal se intensificou, e o inchaço na região passou a ser visível, sinalizando que algo não estava evoluindo de forma normal.
Dor atribuída a gases e piora rápida do quadro
Com a persistência do sofrimento da filha, a família voltou a buscar atendimento médico. Em uma das consultas, conforme o relato da mãe, a dor foi atribuída apenas à presença de gases intestinais, sendo prescrita medicação considerada simples. Nenhum exame mais aprofundado teria sido solicitado naquele momento.
Nos dias seguintes, o estado de saúde de Kaliny piorou de forma significativa. As crises de dor tornaram-se mais intensas, os vômitos se tornaram frequentes e a adolescente apresentava sinais claros de agravamento, como prostração e dificuldade para se movimentar.
Somente na terceira ida à UPA, já no fim de dezembro, exames mais detalhados foram realizados. Os resultados apontaram um quadro grave, exigindo internação imediata e intervenção cirúrgica de urgência.
Cirurgia revelou apêndice rompido e infecção generalizada
Durante a cirurgia, os médicos identificaram que o apêndice havia se rompido, permitindo que a infecção se espalhasse para outros órgãos. O quadro já era considerado crítico. Após o procedimento, Kaliny precisou ser entubada e transferida para uma UTI especializada, onde permanece sob cuidados intensivos.
A família afirma que houve demora no reconhecimento da gravidade e classifica o atendimento inicial como negligente, argumentando que os sinais clínicos foram ignorados mesmo diante da insistência e da repetição das queixas. Para Viviane, se o diagnóstico tivesse sido feito antes, o sofrimento da filha e o risco à vida poderiam ter sido evitados.
Em nota, a instituição responsável pela UPA negou irregularidades e afirmou que todos os atendimentos seguiram os protocolos clínicos, com exames e encaminhamentos realizados conforme a evolução apresentada no momento das consultas.
Enquanto a discussão sobre responsabilidades segue, a prioridade da família é a recuperação de Kaliny. A mãe afirma que espera que o caso sirva de alerta para profissionais e instituições de saúde, reforçando a importância de atenção redobrada diante de sintomas persistentes em crianças e adolescentes, onde o tempo pode ser decisivo entre a recuperação e uma tragédia maior.