A tragédia provocada pelo tornado que atingiu o Paraná na sexta-feira (7) deixou marcas profundas em Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do estado. Entre as seis vítimas fatais está Julia Kwapis, uma adolescente de 14 anos, que foi arrastada pelas fortes rajadas de vento enquanto estava na casa de uma amiga. O fenômeno, classificado como EF3 pela Defesa Civil, devastou a cidade e deixou mais de 600 pessoas feridas.
De acordo com familiares, Julia havia saído para se divertir com amigos e não imaginava que uma tempestade tão violenta se aproximava. Quando o tornado atingiu a região, a adolescente foi lançada a metros de distância. Ferida, foi levada ao Hospital São José, em Laranjeiras do Sul, a cerca de 18 quilômetros do local da tragédia. Não há confirmação sobre quem realizou o socorro, mas ela chegou em estado extremamente grave.

“Ela foi arrastada… estava muito machucada”, diz mãe de Julia
A mãe da adolescente contou, em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo, que passou a noite inteira sem notícias da filha. “A princípio, o que a gente soube é que ela foi jogada, foi arrastada. Ela chegou aqui em um grau muito difícil… um grau quatro de sobrevivência. Ela está muito machucada”, relatou emocionada.
A família ainda revelou que Julia seria crismada no sábado (8) e que um churrasco de celebração estava sendo preparado. O que seria um fim de semana de festa se transformou em um momento de luto e dor. Amigos e vizinhos prestaram homenagens nas redes sociais, descrevendo a jovem como “alegre, sonhadora e cheia de planos para o futuro”.
A tragédia comoveu todo o estado e chamou atenção pelo poder destrutivo do fenômeno. Segundo a Defesa Civil, o tornado provocou rajadas de vento superiores a 250 km/h, derrubando casas inteiras e arrancando árvores pelas raízes.
Cidade devastada: 90% de Rio Bonito do Iguaçu foi destruída
O município de Rio Bonito do Iguaçu, com cerca de 14 mil habitantes, ficou praticamente em ruínas. Aproximadamente 90% da cidade foi destruída, conforme levantamento preliminar das autoridades. Ruas inteiras foram cobertas por destroços, postes caíram e o fornecimento de energia foi interrompido em mais de 3 mil imóveis.
O fornecimento de água também foi comprometido, e um hospital de campanha foi montado para atender os feridos, já que parte da estrutura de saúde local ficou inutilizada. Entre as vítimas confirmadas, além de Julia, estão dois homens de 49 e 83 anos e uma mulher de 47, todos de Rio Bonito do Iguaçu. A sexta morte ocorreu em Guarapuava, onde um homem de 53 anos foi soterrado após o colapso de uma construção.
Dor, fé e reconstrução após o desastre
O prefeito Cesar Bonivo descreveu o cenário como o “maior desastre da história do município” e afirmou que a cidade está em luto. Ele pediu união e ajuda dos governos estadual e federal para reconstruir a infraestrutura básica.
Moradores que sobreviveram relatam o medo, o barulho ensurdecedor do vento e a sensação de impotência diante da força da natureza. Em meio ao caos, igrejas se tornaram pontos de acolhimento, e famílias inteiras se abrigam em escolas e ginásios.
A tragédia de Julia Kwapis e das outras vítimas transformou Rio Bonito do Iguaçu em símbolo de dor, mas também de solidariedade. A comunidade, abalada, tenta agora reconstruir não apenas a cidade, mas também as vidas que o vento levou.