O que parecia ser um trágico acidente em uma trilha na região de Saldo das Orquídeas, no município de Sapopema (PR), revelou-se um crime brutal. Jackeline Santos, de 29 anos, grávida, perdeu a vida no último sábado (26 de abril) em circunstâncias inicialmente tratadas como uma queda acidental. No entanto, a perícia constatou indícios claros de homicídio, transformando o caso em uma investigação por feminicídio.
A morte da jovem chocou a comunidade local, conhecida por suas paisagens naturais e pela tranquilidade. Amigos e familiares descrevem Jackeline como uma mulher alegre, trabalhadora e que vivia um momento especial com a chegada do bebê. A tragédia, porém, interrompeu abruptamente essa fase de alegria e trouxe à tona um cenário de violência que, infelizmente, se repete em diversas partes do país.

Da suspeita de acidente ao horror do crime
Jackeline participava de um passeio com dois casais de amigos quando decidiu desacelerar o ritmo e acabou ficando para trás durante o percurso. Poucas horas depois, o corpo da jovem foi encontrado a 1,5 km da sede da trilha, em um ponto de difícil acesso.
As lesões identificadas no corpo e as inconsistências no local levaram os peritos a descartar a hipótese de queda acidental. Segundo as autoridades, havia marcas de violência incompatíveis com um simples escorregão em pedras. A perícia concluiu que a ação foi intencional, e a investigação passou a tratar o caso como homicídio.
O principal suspeito é o companheiro de Jackeline, com quem ela mantinha um relacionamento extraconjugal. A polícia acredita que o crime tenha sido motivado por ciúmes e pela descoberta da gravidez, que o suspeito não teria aceitado. Ele foi detido para prestar depoimento, enquanto equipes da Polícia Civil e do Instituto de Criminalística continuam recolhendo provas que reforçam a hipótese de assassinato.
Polícia apura se crime foi premeditado
Os investigadores agora buscam determinar se o crime foi premeditado e se houve envolvimento de outras pessoas que estavam no local no momento da trilha. De acordo com informações preliminares, há contradições entre os depoimentos dos presentes, o que levanta a suspeita de encobrimento.
Fontes próximas à investigação afirmam que o suspeito demonstrou comportamento frio durante o interrogatório, o que aumentou as desconfianças. A polícia deve solicitar novas perícias complementares e ouvir novamente as testemunhas nas próximas semanas.
A Delegacia de Sapopema informou que, conforme o inquérito avança, mais detalhes serão divulgados. O caso está sendo tratado com prioridade devido à gravidade e ao fato de envolver violência contra uma mulher grávida, situação considerada agravante pela legislação brasileira.
Comoção e pedidos por justiça
A morte de Jackeline Santos causou profunda comoção na pequena cidade. Familiares e amigos se reuniram em manifestações pedindo justiça e cobrando uma investigação rigorosa. Nas redes sociais, centenas de mensagens lamentaram a perda da jovem e exigiram punição exemplar aos responsáveis.
“Ela tinha uma vida inteira pela frente e esperava um filho. Não podemos aceitar mais um caso desses sendo tratado como estatística”, escreveu uma moradora da cidade.
Infelizmente, o caso de Jackeline se soma a uma triste realidade: o feminicídio segue como uma das maiores causas de morte de mulheres no Brasil. Só nos primeiros meses de 2025, dezenas de casos semelhantes já foram registrados, revelando que a violência de gênero ainda é uma ferida aberta na sociedade.
Enquanto a investigação segue, a comunidade de Sapopema permanece em luto e unida em um mesmo pedido — que a justiça prevaleça e que a memória de Jackeline não seja esquecida.