Mulher Grávida Vai pra UPA ser Atendida e Sai M0rta Após…Ver mais

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Brasil, 2025 — A morte de Tairine Alves, de 30 anos, gerou forte comoção e indignação no Distrito Federal após a jovem grávida ter o atendimento negado em três hospitais públicos antes de desmaiar no chão do pronto-socorro do Hospital Regional de Taguatinga (HRT).

Grávida de dois meses do primeiro filho, Tairine era acompanhada como gestante de risco, mas, mesmo assim, não recebeu assistência imediata. Horas depois de finalmente ser atendida, ela morreu após uma parada cardiorrespiratória na madrugada de domingo (21/4).

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Três hospitais, nenhuma assistência e o desespero de uma família

Segundo o relato do marido, Max Oakley, de 30 anos, o drama começou no sábado (20/4), quando Tairine passou a tossir muito e sentir falta de ar. Portadora de faucemia e com histórico de tuberculose, ela sabia que qualquer alteração respiratória poderia representar risco. O casal então buscou ajuda no Hospital Regional de Taguatinga. No entanto, foram informados de que, por morarem em Ceilândia, só poderiam ser atendidos no hospital da própria região.

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A ambulância que os conduzia seguiu para o Hospital Regional de Samambaia, onde o atendimento foi novamente negado. Segundo Max, a justificativa foi de que a equipe estava “fazendo muitos partos” e não teria condições de atender sua esposa. Na tentativa de salvá-la, seguiram para o Hospital Regional de Ceilândia (HRC), mas lá também não houve acolhimento médico, conforme relato da família.

Exaustos e desesperados, Max decidiu retornar ao HRT, o primeiro hospital procurado. Foi ali que a situação de Tairine se agravou. Ao chegar, ela desmaiou no chão do pronto-socorro. Em desespero, Max chamou os profissionais da sala vermelha, que prestaram socorro imediato. Segundo ele, Tairine vomitava sangue enquanto era levada às pressas para atendimento. Após horas de tentativas de estabilização, veio a notícia da morte: “Ela morreu esperando atendimento, não tentando salvar a vida. Isso foi negligência”, desabafou o marido.

O sepultamento da jovem ocorreu na terça-feira (23/4), na cidade de Xique-Xique, na Bahia, onde vive parte da família.

Investigação aberta e questionamentos sobre negligência no atendimento

Diante da repercussão do caso, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) divulgou nota afirmando que investiga a conduta das equipes e que já iniciou uma apuração administrativo-disciplinar. A pasta citou a Portaria 1321, que regulamenta o atendimento de gestantes no DF, e reforçou que qualquer gestante com intercorrência deve ser atendida imediatamente no hospital mais próximo, independentemente da região em que reside.

Segundo a nota, no momento do atendimento havia dois médicos no HRC e quatro médicos no HRT, e não há registro oficial de que Tairine tenha sido assistida por profissional médico antes de desmaiar. Caso seja identificada infração ética, a SES afirmou que encaminhará denúncia ao Conselho Regional de Medicina e abrirá processo administrativo disciplinar.

O caso reacende o debate sobre o colapso no atendimento hospitalar e a burocracia que, muitas vezes, impede um acolhimento ágil — especialmente para gestantes de risco. Para a família, fica a dor de uma perda que poderia ter sido evitada. Para as autoridades, o desafio agora é esclarecer responsabilidades e impedir que tragédias semelhantes voltem a ocorrer no Distrito Federal.

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