Uma audiência em uma Vara de Família ganhou grande repercussão nas redes sociais após a resposta direta e dura de um juiz a uma mãe que buscava uma solução incomum para conciliar trabalho e cuidados com os filhos. O episódio reacendeu um debate antigo no Brasil: até onde vai a responsabilidade individual e onde começa o dever do Estado ou do outro genitor?
A fala do magistrado, considerada por muitos como “impactante”, dividiu opiniões e levantou questionamentos sobre empatia, justiça social e o papel do Judiciário em casos de vulnerabilidade econômica.

O pedido feito durante a audiência
Durante a audiência, a mulher relatou que possui renda mensal de R$ 1.300, valor que mal cobre as despesas básicas da família. Ela é responsável por dois filhos menores e afirmou enfrentar dificuldades para conciliar o trabalho com os cuidados diários das crianças.
Como alternativa, a mãe pediu que o pai das crianças deixasse o emprego para assumir os cuidados em tempo integral, enquanto ela manteria sua jornada de trabalho. Segundo ela, essa seria a única forma de garantir atenção aos filhos sem perder a única fonte de renda fixa.
O pedido, no entanto, surpreendeu o juiz responsável pelo caso.
A resposta que gerou polêmica
De forma direta, o magistrado questionou a lógica da solicitação e respondeu:
“Foi a senhora quem decidiu ter dois filhos com essa renda. Agora pretende que o pai deixe o trabalho para cuidar deles enquanto você cumpre sua jornada?”
A fala foi interpretada por parte do público como fria e insensível, especialmente diante do cenário econômico enfrentado por muitas famílias brasileiras. Para outros, no entanto, o juiz apenas expôs um raciocínio jurídico e prático, ao considerar que retirar o pai do mercado de trabalho poderia agravar ainda mais a situação financeira das crianças.
O tom da resposta rapidamente viralizou e passou a ser discutido como exemplo de como o Judiciário lida com pedidos considerados “fora da razoabilidade”.
Exagero ou aplicação da lei?
A polêmica gira em torno de dois pontos centrais. De um lado, críticos argumentam que o juiz ignorou fatores sociais, como a falta de creches públicas, o custo elevado de cuidadores e a sobrecarga histórica das mães solo. Para esse grupo, a fala reforça julgamentos morais e transfere toda a responsabilidade para quem já está em situação de fragilidade.
Por outro lado, defensores da decisão avaliam que o magistrado agiu com base no interesse das crianças, já que obrigar o pai a abandonar o emprego poderia comprometer pensão, estabilidade financeira e até direitos trabalhistas. Nesse entendimento, o Judiciário não pode validar soluções que criem um problema maior do que o já existente.
Especialistas em Direito de Família destacam que casos assim exigem equilíbrio entre empatia e legalidade. O juiz pode — e deve — considerar a realidade social, mas também precisa respeitar limites legais, buscando alternativas como divisão de horários, pensão adequada ou acesso a políticas públicas de apoio.
O episódio expõe uma realidade dura: milhares de famílias vivem no limite, e muitas vezes chegam ao Judiciário esperando uma solução que o próprio sistema não consegue oferecer. Entre exagero e justiça, o caso mostra que, nem sempre, há respostas fáceis — apenas decisões difíceis.
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